De 2015 a 2022 o planeta registrou os anos mais quentes desde 1850, com aumento recorde da emissão de gases de efeito estufa
Da Redação
O novo relatório anual da ONU divulgado na véspera do Dia da Terra, comemorado em 22 de abril, revelou que as mudanças climáticas continuaram avançando em 2022, com altos níveis de emissão de gases de efeito estufa levando a recordes de temperatura global, derretimento de geleiras e aumento do nível do mar. A tendência deve continuar por milhares de anos e eleva o grau de alerta para eventos climáticos extremos, que ameaçam a existência de nações inteiras.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, enfatizou a necessidade de uma ação climática acelerada com cortes de emissões mais profundos e rápidos para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 grau Celsius, além de investimentos em adaptação e resiliência, principalmente para países e comunidades mais vulneráveis.
Foram apresentados dados alarmantes no relatório, como o fato de que os anos de 2015 a 2022 bateram um recorde: foram os oito mais quentes, mesmo com o resfriamento de um evento La Niña nos últimos três anos. Além disso, a concentração dos principais gases de efeito estufa em 2021 – último ano com dados consolidados – também superou a pior marca. O nível global do mar subiu 4,62 mm por ano entre 2013 e 2022, ameaçando algumas cidades costeiras e existência de nações de baixa altitude. O derretimento de geleiras no período de 2005 a 2019 e a perda total do gelo na Groenlândia e Antártida contribuíram com 36% para a elevação do nível do mar, enquanto o aquecimento das águas contribuiu com 55%.
O relatório destacou ainda que as taxas de aquecimento do oceano foram significativamente altas nas últimas duas décadas e que 58% da superfície oceânica experimentou pelo menos uma onda de calor em 2022. O aumento das emissões de gases de efeito estufa continua a afetar gravemente as populações em todo o mundo, com eventos climáticos extremos como secas, inundações e ondas de calor recordes, causando insegurança alimentar, impulsionando a migração em massa e causando bilhões de dólares em perdas e danos.
O relatório concluiu que é necessária uma ação urgente e acelerada para enfrentar as mudanças climáticas, com mais investimentos em adaptação e resiliência para os mais vulneráveis e cortes rápidos e profundos nas emissões de gases de efeito estufa para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 grau Celsius. O relatório da ONU complementa o sexto relatório de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que traz dados até 2020.