Evento traz homenagem ao artista plástico Márcio Aurélio dos Santos
A Lente/ Com assessoria
Para o caderno Cultura
A cena cultural mato-grossense ganha reforço nesta quarta-feira (05.11) com o lançamento de “Assim Eu Me Encontro”, primeiro livro de poesias do multifacetado Wagton Douglas, figura que transita entre pedagogia, teatro, dança, canto coral e literatura. O evento será às 19h, na galeria MAB Mandyoka Artes Bistrô, abaixo da Praça da Mandioca, em Cuiabá. A entrada é gratuita.
Mais do que a apresentação de uma obra literária, o lançamento celebra uma história de amizade e arte: o encontro entre Wagton e o artista plástico Márcio Aurélio dos Santos, falecido em 2024. Em sua homenagem, o espaço receberá a exposição “Arte Aqui é Márcio”, com mais de 50 trabalhos do ilustrador.
Poesia como lugar de encontro
“Assim Eu Me Encontro” nasce do gesto de transformar sensações em palavra. Os poemas têm origem em reflexões íntimas, emoções à flor da pele e na observação sensível do cotidiano — especialmente o de Cuiabá, cidade onde Wagton vive há mais de quatro décadas.
A obra é dividida em seis estações, cada uma movida por um afeto, uma inquietação ou um olhar: Interior do poeta – mergulho nas camadas do eu; Paisagens da Cidade – crônica poética da metamorfose de Cuiabá; Falando de Amor (ou Será sobre Paixão?) – encontros, desejos e afetos; Das Despedidas – ausências, perdas e o peso do luto; Poemas Póstumos – tributos a figuras queridas, como o bailarino Paulo Medina e o escritor Airton Reis, responsável pela expansão do PEN Clube do Brasil em Mato Grosso e; Dessintonizados – textos que escapam a qualquer classificação.
“Como poeta, muitas vezes conseguimos captar dimensões que as pessoas sentem, mas não conseguem verbalizar. Acho que nossa função é justamente essa: dar voz”, afirma Wagton.
A presença que vira memória: Márcio Aurélio
A parceria entre Wagton Douglas e Márcio Aurélio atravessou anos e dois livros anteriores: Retalhos do Cotidiano (2012) e Histórias para Boi e Outros Bichos Dormirem (2023). Para o novo livro, Márcio iniciou a arte abstrata da capa, mas faleceu antes da conclusão.
“Durante anos, apoiei o Márcio adquirindo suas obras para que sua produção não parasse. Era um artista brilhante, de alma generosa, e essa exposição é uma forma de mantê-lo presente”, diz Wagton, emocionado.





No lançamento, o público poderá ver parte do acervo particular do artista, reunido em uma mostra que dialoga com a sensibilidade do livro.





