“Quem desmata precisa pegar uma carreira de gogó de sola por aí”: em ato de extrativistas paralelo à COP30, Marina Silva faz alusão a macaco temido por seringueiros 1
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“Quem desmata precisa pegar uma carreira de gogó de sola por aí”: em ato de extrativistas paralelo à COP30, Marina Silva faz alusão a macaco temido por seringueiros

Ministra resgata lenda amazônica temida por seringueiros e reforça defesa da floresta viva

Em Belém, no calor da COP30, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, adotou o tom duro que muitos setores rurais preferem fingir que não escutam. Durante o “Porongaço dos Povos da Floresta”, marcha que tomou as ruas da capital paraense na manhã desta quinta-feira (13), ela disparou:

“Quem desmata precisa pegar uma carreira gogó de sola por aí.”

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Ministra Marina Silva discursa em “Porongaço dos Povos da Floresta” nesta quinta (13), em Belém. Foto: Ahmad Jarrah. Data:13/11/2025.

A fala, curta e certeira, faz referência a um personagem mítico da cultura acreana: o Gogó de Sola, pequeno macaco temido entre extrativistas por atacar o calcanhar e só largar a presa depois de perder a própria cabeça. “Esse macaco é pequenininho, mas ele morde a gente no calcanhar”, completou Marina, lembrando histórias que escutava do pai durante a infância no Acre.

A metáfora caiu como luva no ato convocado pelo Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), que reuniu mais de mil vozes da floresta em defesa dos territórios extrativistas, da responsabilidade climática global e da luta contra o desmatamento — temas geralmente empurrados para as franjas das negociações oficiais, mas que seguem pulsando nas bases.

Marina, que foi amiga e companheira de luta de Chico Mendes, fez questão de resgatar sua memória diante da multidão. “Viva a luta dos seringueiros. Viva a memória de Chico Mendes”, disse, emocionada.

O ambientalista assassinado em 1988 é símbolo da criação das Reservas Extrativistas (RESEX), modelo que garantiu autonomia produtiva às populações da floresta e freou o avanço predatório que a ditadura e o latifúndio empurravam sobre a Amazônia.

Caminhada iluminada por porangas: símbolo da resistência

Os extrativistas caminharam entre a Praça Eneida de Moraes e a Aldeia Cabana carregando a poranga — lamparina usada nas noites de trabalho na mata e símbolo histórico dos empates, a forma de resistência pacífica organizada entre as décadas de 1970 e 80 para enfrentar grileiros e madeireiros.

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À frente da marcha, a faixa sintetizava o recado:
“A morte da floresta é o fim da nossa vida.”

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“Porongaço dos Povos da Floresta” me Belém. Foto: Ahmad Jarrah. Data:13/11/2025.

Para Letícia Moraes, vice-presidenta do CNS, o Porongaço é mais que um ato: é a reafirmação de um modo de viver. “Hoje, o Porongaço resgata esse símbolo como metáfora da esperança, da coletividade e da luta. A floresta está viva porque seus povos cuidam dela.”

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