Texto e fotos: Ahmad Jarrah
Enquanto fotografava uma multidão de muçulmanos nas imediações da Grande Mesquita de Paris, às vésperas da Copa do Mundo, me veio à mente a contradição do discurso ultranacionalista europeu que classifica a presença de trabalhadores imigrantes como uma invasão.

Logo a França, que invadiu a Argélia, o Haiti e foi cruel com dezenas de povos africanos. No Brasil, caravelas portuguesas subjugando indígenas com pólvora para saquear ouro em nome de Deus virou “descobrimento”. Na pilhagem belga do Congo, o genocídio de 15 milhões de civis executado por Leopoldo II era “missão civilizatória”. Quando a Grã-Bretanha condenou milhões à fome na Índia, chamavam de “progresso”.
O verdadeiro parasitismo global é o que essas nações supremacistas historicamente fizeram, invadiram terras, roubaram riquezas, escravizaram e externinaram pessoas.
Enquanto cometiam atrocidades em escala industrial, criaram uma grife irresistível, se vendendo como vanguarda civilizatória, paladinos da democracia, Liberté, Égalité, Fraternité. Por outro lado, orientais, árabes, africanos e sul-americanos foram engolidos pela narrativa da subalternidade, propagados no Ocidente como sinônimos de atraso, miséria e eterna ameaça.
Essa mesma engrenagem hipócrita ganha o seu maior palco na Copa do Mundo de 2026. O império colonial adora consumir o corpo do imigrante quando ele veste a camisa da seleção europeia e garante a taça. O filho da diáspora africana ou árabe vira orgulho na TV, enquanto nas ruas é tratado como ameaça.
No fim, toda essa hostilidade anti-imigração funciona como cortina de fumaça. Uma estrutura covarde que culpa a vítima pela crise econômica e a falta de empregos, poupando os bilionários, os bancos e os políticos que controlam o sistema e são os verdadeiros responsáveis.
A Copa de 2026 só escancara o que os povos que sofreram na pele a colonização já sabem, o Ocidente teme aqueles que sempre tentou explorar e esmagar. É o pânico de ver o mito da supremacia branca ruir, a hipocrisia de um império que não sabe o que fazer quando a sua máscara civilizatória cai diante do espelho.




























