A cinco anos do prazo final do Acordo de Paris, com as emissões ainda em alta e metas aquém do necessário, o vice-primeiro-ministro da Itália, Antonio Tajani, em entrevista, sinaliza postura perante a crise climática
Da redação
Apuração e foto: Ahmad Jarrah/Belém
A capital paraense amanheceu, nesta quinta-feira (6), como o epicentro da política climática mundial. Entre murais que retratam fauna, flora e povos tradicionais amazônicos, começa a Cúpula de Líderes da COP30, encontro de alto nível que reúne chefes de Estado e autoridades internacionais dois dias antes da abertura oficial das negociações climáticas da ONU.
Além da presença de figuras globais como o príncipe William e o presidente francês Emmanuel Macron, a programação terá a participação do vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, que desembarcou em Belém para acompanhar os debates sobre fundos florestais, transição energética e a governança global do clima.
Tajani: “É preciso ter uma luta contra a mudança climática que não seja ideológica, mas sim mais pragmática.

Em entrevista ao site A Lente, horas antes de iniciar a programação da Cúpula, o ministro italiano, uma das vozes mais conservadoras da política europeia, enviou um recado direto ao cenário internacional, mirando sobretudo países que, segundo ele, “ideologizam” a agenda ambiental.
“Estamos aqui, seguimos adiante. Dez anos após o Acordo de Paris, estamos em Belém porque a luta contra o clima é fundamental. Política ambiental deve proteger o meio ambiente, mas também os trabalhadores. Não podemos trabalhar contra o clima sem defender os cidadãos.”
Há apenas cinco anos para o marco de 2030 do Acordo de Paris, a distância entre o que o mundo prometeu e o que de fato entrega nunca foi tão evidente. Para se ter ideia, 2023 foi o ano mais quente já registrado, com temperatura média próxima de 1,45 °C acima dos níveis pré-industriais, segundo o relatório State of the Global Climate 2023, da World Meteorological Organization (WMO).
Durante a entrevista, Tajani defendeu a flexibilização das metas climáticas para que não se tornem, segundo ele, socialmente inviáveis:
“Se temos metas que são muito difíceis de avançar, é preciso ser mais flexíveis. No fim, é preciso ter uma luta contra a mudança climática que não seja ideológica, mas sim mais pragmática. Mas é preciso fazer tudo para proteger o meio ambiente.”
O chanceler italiano também comentou a ausência dos Estados Unidos e a participação discreta da China, que enviou um delegado:
“Os Estados Unidos não estão aqui e a China enviou um delegado. São os países mais poluentes do mundo junto com a Índia”.
Ainda segundo ele:
“É preciso dialogar bem com os chineses. É preciso convencer todos os outros países de que a luta contra a mudança climática é uma luta de todos nós, cada país tomando a decisão que lhe corresponde. Eu acredito que podemos trabalhar mais sem posições ideológicas. Eu também não gosto delas. Dissemos isso também a Bruxelas há dois dias. Há uma solução pragmática contra a mudança climática com metas ambiciosas, mas não se pode ser ideológico. Minha posição não é a posição de Greta Thunberg”, reforçou.
Diante desse cenário, a posição de Tajani reforça o discursos de pragmatismo econômico diante dos cortes profundos e imediatos de emissões. Enquanto a COP30 avança em Belém, permanece a interrogação sobre até que ponto governos estarão dispostos a assumir responsabilidades proporcionais à sua contribuição histórica para a crise climática.




