Texto e Fotos: Ahmad Jarrah
Havia muita expectativa na presença de Lula nesta última semana de COP30 para destravar as negociações e anunciar o primeiro pacote de resultados. O presidente brasileiro passou horas em sucessivas rodadas de negociação com Ministros de diversos países, incluindo árabes, africanos, latino-americanos, países como China, India, Indonésia, a União Europeia, além de lideranças indígenas e empresários. Para quem achava que a intensa agenda o cansaria, se surpreendeu com sua entrada vigorosa na coletiva de imprensa marcada ao final das rodadas, na quarta-feira (19). O presidente apareceu entusiasmado, saudou jornalistas como um popstar, brincou com uma lente fotográfica e não poupou o bom humor ao lado do presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, que riu das brincadeiras como um trabalhador ri das piadas do patrão.





Lula deu show e não há como negar o grande carisma que possui um dos maiores líderes políticos do país, porém pareceu insuficiente para convencer as demais nações a aderir à liderança climática que o Brasil propõe. Mesmo fazendo todo tipo de concessão, liberando cada país a definir suas metas “sem impor nada a ninguém, sem determinar o prazo, dentro do seu tempo, dentro das suas possibilidades”, a visão de um consenso parece estar longe de ser alcançada, até usando uma lente teleobjetiva.

Falta ficar claro se a flexibilidade como um instrumento para avançar nas negociações trará um resultado efetivo naquilo que a sociedade clama, um texto que não seja genérico e limitado a workshops e reuniões, mas que proponha metas e prazos para evitar o colapso climático de forma urgente, com ações contundentes dos países para a eliminação dos combustíveis fósseis e do desmatamento, além da ampliação dos financiamentos por parte dos países ricos.

O olhar mais sereno e equilibrado da Ministra Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança Climática) deu um contorno mais cauteloso à coletiva. O tão esperado avanço nos mutirões do mapa do caminho (road map) ainda não aconteceu, as negociações seguem difíceis, pelo menos para alcançar os compromissos almejados, o que pode levar as conversas a se arrastarem por mais tempo.
Se o mapa do caminho não chegou a um acordo final, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) retornou à pauta para salvar o dia, com o anúncio de mais 1 bilhão de euros da Alemanha. O constrangimento provocado pelas declarações xenófobas do chanceler alemão não foi suficiente para fazer o país destinar algo próximo dos US$ 3 bi prometidos pela Noruega, que era a expectativa. Entre altos e baixos, ora do TFFF, ora do road map, os últimos dias de COP30 se aproximam e parece estarmos longe do fim, ou perto, a depender do ângulo da foto.










