Generated by Rank Math SEO, this is an llms.txt file designed to help LLMs better understand and index this website. # A Lente: Jornalismo do Centro do Brasil ## Sitemaps [XML Sitemap](https://alente.com.br/sitemap_index.xml): Includes all crawlable and indexable pages. ## Posts - [Craques na Copa, invasores na Europa: quem tem medo dos muçulmanos?](https://alente.com.br/2026/06/16/craques-na-copa-invasores-na-europa-quem-tem-medo-dos-muculmanos/): Texto e fotos: Ahmad Jarrah - [A primavera que liga Paris à Amazônia](https://alente.com.br/2026/06/03/a-primavera-parisiense-ja-nao-e-apenas-uma-estacao-e-um-aviso/): O calor anômalo na França e o debate sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas mostram como a emergência climática conecta territórios distantes por um mesmo desafio global. - [Os ventos do norte não movem moinhos: Lula enxerga desafios na reta final da COP30](https://alente.com.br/2025/11/20/os-ventos-do-norte-nao-movem-moinhos-lula-enxerga-desafios-na-reta-final-da-cop30/): Texto e Fotos: Ahmad Jarrah - [Mineradoras devoram a Amazônia enquanto a COP30 promete salvar](https://alente.com.br/2025/11/19/mineradoras-devoram-a-amazonia-enquanto-a-cop30-promete-salvar/): Multinacionais são acusadas de contaminação em Barcarena, no Pará. Governador assina termo de cooperação com poluidora durante a Conferência da ONU para o ClimaTexto e Fotos: Ahmad Jarrah - [EFEITO COP30: Governo Lula homologa quatro Terras Indígenas; três estão em Mato Grosso](https://alente.com.br/2025/11/18/efeito-cop30-governo-lula-homologa-quatro-terras-indigenas-tres-estao-em-mato-grosso/): Por Bruna ObadowskiApuração e fotos: Ahmad Jarrah, direto da COP30, em Belém (PA) - [CHAMA LULA E REVOGA: Povos indígenas “param” COP30 e exigem revogação de decreto e fim da Ferrogrão](https://alente.com.br/2025/11/15/chama-lula-e-revoga-povos-indigenas-param-cop30-e-exigem-revogacao-de-decreto-e-fim-da-ferrograo/): Texto e fotos: Ahmad Jarrah - [“Quem desmata precisa pegar uma carreira de gogó de sola por aí”: em ato de extrativistas paralelo à COP30, Marina Silva faz alusão a macaco temido por seringueiros](https://alente.com.br/2025/11/14/quem-desmata-precisa-pegar-uma-carreira-de-gogo-de-sola-por-ai-dispara-marina-silva-em-ato-de-extrativistas-durante-a-cop30/): Em Belém, no calor da COP30, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, adotou o tom duro que muitos setores rurais preferem fingir que não escutam. Durante o “Porongaço dos Povos da Floresta”, marcha que tomou as ruas da capital paraense na manhã desta quinta-feira (13), ela disparou: - [Com Cacique Raoni, barqueata na Baía do Guajará pede justiça climática e denuncia a Ferrogrão durante a COP30 em Belém](https://alente.com.br/2025/11/13/com-cacique-raoni-barqueata-na-baia-do-guajara-abre-cupula-dos-povos-e-reforca-apelo-por-justica-climatica-na-cop30-em-belem/): Ato fluvial reuniu indígenas, pescadores e movimentos populares de 60 países em protesto contra o avanço do agronegócio, da mineração e de megaprojetos como a Ferrogrão e a exploração de petróleo na Amazônia - [Na COP30, governador de Mato Grosso diz “espero muito pouco”, critica Macron e responde a críticas ao agro com “vai comer xisto?”](https://alente.com.br/2025/11/11/na-cop30-governador-de-mato-grosso-diz-espero-muito-pouco-critica-macron-e-responde-a-criticas-ao-agro-com-vai-comer-xisto/): Da redaçãoFotos e apuração local: Ahmad Jarrah/Belém-PA - [Na abertura em Belém, COP30 exige ação: ciência no centro, negacionismo fora da mesa](https://alente.com.br/2025/11/10/na-abertura-em-belem-cop30-exige-acao-ciencia-no-centro-negacionismo-fora-da-mesa/): Texto: Bruna ObadowskiFotos e apuração local: Ahmad Jarrah - [Cultura: Feira do Vinil celebra 10 anos com edição especial recheada de música e arte na Casa Cuiabana](https://alente.com.br/2025/11/07/cultura-feira-do-vinil-celebra-10-anos-com-edicao-especial-recheada-de-musica-e-arte-na-casa-cuiabana/): Com entrada gratuita, a edição deste sábado (08) leva à Casa Cuiabana música, literatura, cinema e uma feira criativa com 40 expositores - [Com investimento tímido, fundo para florestas lançado por Lula na COP30 não empolga](https://alente.com.br/2025/11/07/com-investimento-timido-fundo-para-florestas-lancado-por-lula-na-cop30-nao-empolga/): Noruega, a maior investidora, aportou um valor sete vezes menor do que destinou em 2024 para exploração de combustíveis fósseis - [Entre a floresta e o garimpo: quilombolas de Mato Grosso resistem sem terras tituladas](https://alente.com.br/2025/11/06/entre-a-floresta-e-o-garimpo-quilombolas-de-mato-grosso-resistem-sem-terras-tituladas/): O estado registrou a maior perda de cobertura florestal dentro de territórios quilombolas da Amazônia Legal entre 1985 e 2024, uma redução de 27,5% da área, segundo levantamento obtido com exclusividade por A Lente e InfoAmazonia. Quilombos também enfrentam pressão do garimpo ilegal, que se aproxima das comunidades. - [COP30: no primeiro dia da Cúpula de Líderes, Ministro das Relações Exteriores da Itália dispara em entrevista: “A luta climática não pode ser ideológica, precisa ser pragmática”](https://alente.com.br/2025/11/06/belem-da-start-na-cop30-com-recado-direto-da-italia-a-luta-climatica-nao-pode-ser-ideologica-precisa-ser-pragmatica/): A cinco anos do prazo final do Acordo de Paris, com as emissões ainda em alta e metas aquém do necessário, o vice-primeiro-ministro da Itália, Antonio Tajani, em entrevista, sinaliza postura perante a crise climática - [A Lente se junta a 20 veículos em aliança inédita de cobertura na COP30](https://alente.com.br/2025/11/06/a-lente-se-junta-a-20-veiculos-em-alianca-inedita-de-cobertura-na-cop30/): Assessoria/Casa do Jornalismo Socioambiental - [Mato Grosso ganha nova obra literária com o lançamento de “Assim Eu Me Encontro”, de Wagton Douglas](https://alente.com.br/2025/11/06/mato-grosso-ganha-nova-obra-literaria-com-o-lancamento-de-assim-eu-me-encontro-de-wagton-douglas/): A Lente/ Com assessoriaPara o caderno Cultura - [A LENTE NA COP30 | NOTÍCIAS EM TEMPO REAL](https://alente.com.br/2025/11/05/a-lente-na-cop30-noticias-em-tempo-real/) - [COLUNISTA | LUIZ MERIJ](https://alente.com.br/2025/11/01/colunista-luiz-merij/): Luiz Merij é Produtor Audiovisual e Publicitário formado pela UFMT. Natural de Cuiabá/MT, atua no audiovisual com foco em produção, pesquisa e desenvolvimento de conteúdo, explorando narrativas que valorizam a cultura, a memória e as identidades regionais. - [COLUNISTA | JULIANA ARINI](https://alente.com.br/2025/11/01/colunista-juliana-arini/): Juliana é jornalista formada pela Universidade Federal de Mato Grosso e mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero. Atua há mais de 20 anos na área, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa, produção audiovisual e edição de conteúdo. Colabora com veículos como Agência Folha, NatGeo Brasil, El País e InfoAmazonia, e desde 2019 integra o grupo de grantees do Pulitzer Center, com foco em reportagens sobre a Amazônia. Já foi repórter da Revista Época (Editora Globo), professora na UFMT e consultora em projetos de comunicação socioambiental. Também atua como fotojornalista e fixer para produções internacionais, e já colaborou com organizações como WWF-Brasil, Greenpeace e Transparência Internacional Brasil. - [COLUNISTA | AHMAD JARRAH](https://alente.com.br/2025/11/01/ahmad-jarrah/): Ahmad Jarrah é Mestre em Estudos de Cultura Contemporânea, bacharel em Comunicação Social, jornalista (DRT 2951/MT), publicitário, fotógrafo documental, assessor de comunicação, documentarista, roteirista, criador e colaborador da A Lente, grantee do Pulitzer Center e do Earth Journalism, coordenador pedagógico do LABCOM a Lente, já atuou em coletivos culturais, organizou festivais de arte, mostras e semanas de formação em audiovisual, participou da elaboração do Plano Nacional de Cultura, do Fundo Setorial do Audiovisual e das políticas culturais nacionais, regionais e locais. - [Acervo da fotógrafa Vania Toledo (1945-2020), consagrada pelos registros da cena cultural brasileira, chega ao Instituto Moreira Salles ](https://alente.com.br/2023/09/25/acervo-da-fotografa-vania-toledo-1945-2020-consagrada-pelos-registros-da-cena-cultural-brasileira-chega-ao-instituto-moreira-salles/):  Foto: Rita Lee. Coleção Vânia Toledo / Acervo IMS - [Dados inéditos mostram que os nove países amazônicos perderam um milhão de hectares de superfície de água na última década](https://alente.com.br/2023/09/22/dados-ineditos-mostram-que-os-nove-paises-amazonicos-perderam-um-milhao-de-hectares-de-superficie-de-agua-na-ultima-decada/): Esta diminuição pode impactar economicamente as populações dos Andes tropicais, com efeitos na agricultura, no abastecimento de água potável e na integridade dos ecossistemas. - [O sonho de Chico Mendes para a Amazônia ainda é possível? ](https://alente.com.br/2023/08/16/o-sonho-de-chico-mendes-para-a-amazonia-ainda-e-possivel/): André Maciel - Jovem seringueiro de 21 anos - [Cientistas desenvolvem técnica inédita para reflorestamento de áreas degradadas](https://alente.com.br/2023/06/13/cientistas-desenvolvem-tecnica-inedita-para-reflorestamento-de-areas-degradadas/): Método utilizado em Brumadinho (MG) utiliza DNA e indução de florescimento precoce para acelerar a recuperação de florestas Da redação Foto de capa: Reprodução - Pesquisa Árvores que poderiam levar mais de oito anos para produzir suas primeiras flores e frutos estão iniciando este processo em menos de um ano. Esse é o resultado de uma técnica inédita no mundo e que está deixando cientistas da Universidade Federal de Viçosa (UFV) animados.  A técnica nomeada de “Resgate de DNA e indução de florescimento precoce em espécies florestais nativas”, tem demonstrado boa efetividade para a recuperação ambiental em Brumadinho, principalmente no bioma de Mata Atlântica, e pode ser aplicada em diversos biomas ao redor do planeta. “Estamos muito animados com os resultados apresentados pela técnica. Resgatamos o DNA de espécies das florestas da região, como jacarandá caviúna, ipê amarelo, e jequitibá e replicamos as plantas para garantir que a constituição genética de cada uma não seja perdida. Ver as árvores produzindo flores e frutos em tão pouco tempo é gratificante, podemos deixar um legado importante para as próximas gerações” destaca o professor do Departamento de Engenharia Florestal da UFV (DEF/UFV), Gleison dos Santos.  Ao todo foram recolhidos materiais genéticos de 10 plantas, de cinco espécies diferentes, incluindo espécies ameaçadas de extinção e protegidas por lei. Nos próximos três anos, a ideia é chegar a 30 espécies e reintroduzir mais de 5 mil mudas nas áreas a serem recuperadas. O projeto conta ainda com a gestão da Sociedade de Investigações Florestais (SIF).  Em campo, os pesquisadores visitam as áreas afetadas e realizam o procedimento de resgate do DNA. O material genético é levado para Viçosa (MG) e mantido sob os mais exigentes padrões de segurança e saúde das plantas. O processo de replicação se inicia no campo, com a coleta de ramos das árvores-matriz. Já no laboratório, os ramos passam por um procedimento de enxertia para se tornarem capazes de reproduzir exatamente o material genético de outras plantas a partir de pequenas porções.   Além de resgatar o DNA de árvores em risco, a técnica induz o florescimento precoce de plantas jovens produzidas a partir de árvores resgatadas. Com essa inovação, mudas que poderiam levar mais de oito anos para florescer, iniciam este processo entre seis e doze meses após o resgate em campo, viabilizando a recuperação mais rápida da vegetação e contribuindo para o acelerar o processo de restauração dos ambientes impactados. RECUPERAÇÃO E AVANÇOS AMBIENTAIS Para a recuperação ambiental da área impactada pelo rompimento acontecer, o primeiro passo é a remoção dos rejeitos, atividade fundamental para apoiar as buscas realizadas pelo Corpo de Bombeiros. Somente após a liberação das áreas pelo CBMMG o trabalho é iniciado, já que a busca pelas pessoas desaparecidas é prioridade máxima desde o rompimento.  Até o momento, estão em processo de recuperação ambiental 50 hectares, incluindo parte da área diretamente impactada e áreas protegidas do entorno, com o plantio de aproximadamente 60 mil mudas de espécies nativas da região. Essa área equivale a 50 campos de futebol. Nesse processo de recuperação também está sendo feita a renaturalização de ambientes, incluindo a recuperação dos cursos d’água (ribeirão e córregos) e áreas úmidas afetadas.  - [Ferrogrão enfrenta críticas de Povos indígenas e organizações em carta conjunta após diálogo no reduto do agronegócio](https://alente.com.br/2023/06/02/povos-indigenas-e-organizacoes-se-reunem-em-sinop-e-publicam-carta-criticando-ferrograo/):   - [Conflito à vista: Câmara dos Deputados acende polêmica ao aprovar Marco Temporal, desafiando direitos indígenas](https://alente.com.br/2023/05/31/conflito-a-vista-camara-dos-deputados-acende-polemica-ao-aprovar-marco-temporal-desafiando-direitos-indigenas/): .  - [Licença prévia para construção de 6 PCHs no Rio Cuiabá é negada pela SEMA](https://alente.com.br/2023/05/17/licenca-previa-para-construcao-de-6-pchs-no-rio-cuiaba-e-negada-pela-sema/): Indeferimento do pedido de licenciamento ocorre poucas semanas após o STF derrubar lei que proibia instalação de hidrelétricas no Rio Cuiabá A Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema-MT) negou um pedido de Licença Prévia para a construção de seis Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) no Rio Cuiabá devido aos impactos negativos e inviabilidade ambiental do empreendimento. A área requerida foi considerada zona vermelha pela Agência Nacional de Águas (ANA), o que prejudicaria a reprodução das espécies durante a piracema e a continuidade da pesca. Além disso, a retirada de areia, cascalho e argila para a construção civil de Mato Grosso seria afetada e o ecossistema aquático sofreria com a redução da qualidade da água e da diversidade. "Os impactos ambientais negativos superam os impactos positivos, pois só a geração de energia não é suficiente para caracterizar como um empreendimento ambientalmente viável. O impedimento para a reprodução dos peixes e a extração do bem mineral, como areia, também são relevantes, e são apenas alguns impactos negativos que o empreendimento impõe", disse o superintendente de Infraestrutura, Mineração, Indústria e Serviços da Sema, Valmi Lima. Os pesquisadores identificaram uma área estratégica para a reprodução dos peixes migradores, que deve ser mantida sem barramentos. A perda de conectividade resultaria na interrupção da rota migratória e afetaria a cadeia produtiva do setor pesqueiro. O empreendimento também causaria desapropriações e impactos socioambientais no turismo e na pesca. A instalação de PCHs no Rio Cuiabá depende de aprovação da Sema-MT, embora a lei estadual que proibia tal construção tenha sido derrubada pelo STF no início do mês, por 8 votos a 2. Atualmente, existem 54 empreendimentos hidrelétricos no estado, sendo 47 PCHs e Centrais Geradoras Hidráulicas e sete usinas hidrelétricas, podendo aumentar para 180 se todos os projetos forem efetivados. Principais impactos: Alterações na qualidade da água: A redução do fluxo tende a tornar a água menos turva e expõe os ovos e larvas dos peixes à predação, o que afeta o ciclo de vida e a própria reprodução dos peixes. Redução na diversidade: Impacta na vida dos seres que vivem no fundo dos rios e demais organismos vivos da cadeia trófica por causa do assoreamento. Queda na produtividade do ecossistema aquático: Os nutrientes são prejudicados ao serem retidos na barragem. Distúrbios de corpos d'água: Alterações no fluxo dos sedimentos do planalto para a planície, que pode mudar a dinâmica de áreas inundadas. Os principais impactos apontados são a alteração do leito original do rio; da velocidade da água; da qualidade da água; ocupação do solo pela formação do lago; modificação da fauna e flora aquática; vazão residual no trecho seco do rio e impactos socioambientais no turismo e na pesca. CONFIRA A PUBLICAÇÃO DO INDEFERIMENTO NO DIÁRIO OFICIAL DE HOJE (17) https://www.iomat.mt.gov.br/portal/visualizacoes/pdf/17280/#/p:9/e:17280 TERMO DE INDEFERIMENTO E ARQUIVAMENTO A Secretária Adjunta de Licenciamento Ambiental e Recursos Hídricos, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, no uso de suas atribuições, resolve acolher o DESPACHO No 236/2023/CLEIA/SEMA-MT, exarado pela Coordenadoria de Licenciamento com Estudos de Impactos Ambientais - CLEIA, e indeferir o requerimento e consequentemente o arquivamento definitivo do processo em tela, referente a solicitação da Licença Prévia, para o Complexo Hidrelétrico, composto por 06 (seis) PCH’s, da Interessada Maturati Participações S.A. e Meta Serviços e Projeto Ltda., conforme expresso no Parecer Técnico no 16810/CLEIAS/SUIMIS/2023. Cuiabá-MT, 16 de maio de 2023. (Original Assinado) Lilian Ferreira dos Santos Secretária Adjunta de Licenciamento Ambiental e Recursos Hídricos SEMA-MT - [Estudo identifica regiões da Floresta Amazônica mais vulneráveis a mudanças climáticas](https://alente.com.br/2023/05/16/estudo-identifica-regioes-da-floresta-amazonica-mais-vulneraveis-a-mudancas-climaticas/): Foto: Bruno Kelly Professores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Beatriz Schwantes Marimon, Ben Hur Marimon Junior e Paulo Morandi, foram co-autores de um novo estudo publicado na última edição da revista científica Nature, que identifica regiões na Amazônia mais vulneráveis à seca. O trabalho, envolvendo 80 cientistas da Europa e da América do Sul, identificou as regiões da Floresta Amazônica onde as árvores têm maior probabilidade de enfrentar a morte por mudanças climáticas. Esta foi a primeira avaliação em toda a Floresta Amazônica revelando como diferentes áreas poderão responder a um clima mais quente e seco. Os cientistas alertam que pesquisas anteriores podem ter subestimado o impacto da seca na Amazônia porque esses estudos se concentraram na parte centro-leste da floresta, que é a menos vulnerável. O professor da Universidade de Leeds (Inglaterra), David Galbraith, que supervisionou o estudo, alerta para o fato da Amazônia estar ameaçada por vários estressores ambientais, incluindo desmatamento e clima. “Compreender os limites de estresse que essas florestas podem suportar é um grande desafio científico”. Algumas partes da Amazônia já sofreram mudanças nos padrões de chuva. No sul, por exemplo, há evidências de que a estação seca se tornou mais longa e as temperaturas aumentaram mais do que em outras partes da Amazônia. As mudanças no sul da floresta são parcialmente provocadas por desmatamento e queimadas em larga escala. DIFERENTES FLORESTAS A Dra. Julia Tavares, que liderou o estudo durante o doutorado na Universidade de Leeds (Inglaterra) e agora trabalha na Universidade de Uppsala (Suécia), afirma que “muitas pessoas pensam na Amazônia como uma só grande floresta, mas na verdade são muitas diferentes florestas em diferentes zonas climáticas, desde locais já muito secos até aqueles muito úmidos. Queríamos ver como esses diferentes ecossistemas florestais estão lidando para podermos começar a identificar regiões que estão em risco particular de seca e condições mais secas”. Na parte sul da Floresta Amazônica, onde historicamente houve queda nos níveis de chuva, as árvores apresentaram maior grau de adaptação para lidar com a seca. Contudo, o estudo revelou que estas árvores corriam o maior risco de morrer devido à seca. Isso provavelmente ocorre porque a região já passou por mudanças climáticas rápidas e interrupções nos padrões de chuva causadas pelo desmatamento, que levou as árvores ao seu limite. Em contraste, as espécies de árvores nas partes mais úmidas da Floresta Amazônica mostraram o menor nível de adaptação à seca, mas eram as mais seguras em termos de riscos de mudanças climáticas futuras porque, pelo menos até agora, não haviam sido impactadas por mudanças nas chuvas. Segundo a professora da Unemat, Beatriz Schwantes Marimon, a transição Amazônia-Cerrado é a parte mais vulnerável da Amazônia, indicando o que acontecerá no futuro com as outras regiões da floresta. “A transição é um laboratório natural que nos mostra o que acontecerá com a Amazônia se as mudanças climáticas e as queimadas prosseguirem no atual ritmo”, reforça o professor Ben Hur Marimon Junior. A pesquisadora Halina Soares Jancoski, que participou da expedição quando estava cursando seu doutorado na Unemat de Nova Xavantina (650 Km de Cuiabá), considera este estudo muito importante porque ajuda a entender como as florestas irão se comportar com o efeito das mudanças climáticas. SAIBA MAIS- O artigo pubicado na Nature é intitulado “Basin-wide variation in tree hydraulic safety margins predicts the carbon balance of Amazon forests” (A variação em toda a bacia nas margens de segurança hidráulica das árvores prevê o balanço de carbono das florestas amazônicas). Acesso em: https://www.nature.com/articles/s41586-023-05971-3 DA ASSESSORIA - [Desmatamento no Cerrado aumenta 35% em relação ao mesmo período do ano passado](https://alente.com.br/2023/05/15/desmatamento-no-cerrado-aumenta-35-em-relacao-ao-mesmo-periodo-do-ano-passado/): Quatro primeiros meses do ano registraram aumento significativo comparado ao mesmo período de 2022; Abril registrou desmate de 69 mil hectares Da redação Com informações Ipam Foto de capa: Bruna Obadowski O desmatamento do Cerrado ultrapassou 69 mil hectares em abril de 2023. Esse número representa um aumento de 36% em relação a abril do ano passado, quando foram registrados quase 51 mil hectares desmatados, segundo dados detectados e confirmados pelo SAD Cerrado (Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado) divulgados na última sexta-feira (12/05). Dados de abril confirmam a tendência de aumento registrada no início de 2023. Os primeiros quatro meses do ano totalizaram cerca de 257,3 mil hectares desmatados, mais que o dobro da área da cidade do Rio de Janeiro. Números representam um aumento de quase 35% em relação ao registrado nos primeiros quatro meses do ano passado. Os estados da Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí responderam por volta de 69% do desmatamento do Cerrado nesse período, com cerca de 177,8 mil hectares derrubados. Pesquisadoras do SAD alertam para a influência do período de chuvas nas imagens de satélite e que os desmatamentos confirmados em abril podem ter ocorrido em outros meses de 2023, em áreas cobertas por nuvens nos meses anteriores. Regiões do sul do Maranhão, como o municípios de Balsas, e do Tocantins são especialmente afetadas pelo fenômeno. “A alta cobertura de nuvens nas imagens de satélite por sensores ópticos durante a época de chuva é um grande desafio para o monitoramento do desmatamento nesta época. Os alertas detectados neste último mês não necessariamente ocorreram no mês de abril, mas podem ter ocorrido em qualquer momento desde o início da época chuvosa. Além disso, o SAD Cerrado preza por confirmar o desmatamento mapeado antes de se tornar um alerta, o que pode gerar um atraso na detecção de novas áreas desmatadas. Apesar desses fatores, o mês de abril teve um aumento significativo em relação ao mesmo período do ano passado, o que indica uma possível tendência de aumento do desmatamento no Cerrado. Esse aumento só poderá ser de fato confirmado nos próximos meses”, aponta a pesquisadora do IPAM, Fernanda Ribeiro. A pesquisadora também destaca que a chegada da estação seca traz também uma menor cobertura de nuvens, além de um clima mais propício para o desmate de novas áreas. Juntos, esses fatores podem contribuir para números ainda maiores para o desmatamento do Cerrado, que costuma atingir seu ponto mais crítico nos meses de junho, julho e agosto. “Durante o mês de abril, que é o começo da transição para a época de seca, já foi possível detectar novas áreas desmatadas que antes estavam possivelmente cobertas por nuvens. É esperado que esse número de alertas aumente durante a época de seca, principalmente entre junho e agosto, devido às condições climáticas favoráveis nas imagens de satélite e também ao calendário agrícola, que tem mais atividade nessa época do ano.” Municípios Líderes do ranking em março, municípios do oeste da Bahia seguem liderando a lista de municípios que mais desmataram. Em abril, foram confirmados 3,9 mil hectares de Cerrado desmatado em São Desidério, número 5 vezes maior do que o registrado no município em abril de 2022. “É muito preocupante esse aumento constante e acelerado do desmatamento no oeste da Bahia. Essa é uma região onde houve uma rápida expansão do setor agropecuário, resultando em uma baixa cobertura de vegetação nativa nos dias de hoje. Essa supressão da vegetação nativa impacta não somente o meio ambiente e a biodiversidade, como também a própria produção agrícola e a população local através da disponibilidade hídrica, que está diretamente relacionada com o desmatamento. Além disso, a maior parte da vegetação nativa remanescente na região está localizada em propriedades privadas. Por isso, é necessário um fortalecimento das políticas públicas de combate ao desmatamento e de restrição de uso do solo, além de um maior incentivo à conservação em áreas privadas.” Área afetada por desmatamento na região de São Desidério (BA). Imagens ©Planet Scope - [Assembleia Legislativa de Mato Grosso instala Câmara Setorial Temática para debater a construção da Ferrovia Ferrogrão](https://alente.com.br/2023/05/11/assembleia-legislativa-de-mato-grosso-instala-camara-setorial-tematica-para-debater-a-construcao-da-ferrovia-ferrograo/): Da redacão O bilionário projeto logístico para expandir a malha ferroviária e impulsionar o escoamento de grãos do Centro-Oeste pelos portos do Arco Norte agora será debate na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Na última quarta-feira (10), o órgão legislativo instalou uma Câmara Setorial Temática para discutir a construção da Ferrovia Ferrogrão (EF-170), pensada para ligar a cidade de Sinop – norte de Mato Grosso – ao Porto de Itaituba, no Pará. O projeto do modal teve andamento paralisado por decisão liminar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A determinação judicial suspendeu, em 2021, a eficácia da Lei Federal nº 13.452/2017, que alterava limites do Parque Nacional do Jamanxim para instalação da ferrovia em áreas a serem excluídas da unidade de conservação localizada no Pará. Em janeiro, a presidente do STF, ministra Rosa Weber, marcou o julgamento do mérito da ação para o fim deste mês de maio. A Câmara Setorial foi formada com representantes de entidades do setor produtivo e da sociedade organizada com o objetivo de defender a construção da ferrovia. Entre outros participantes da reunião, estavam representantes do Fórum Agro, Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Ordem dos Advogados do Brasil seccional Mato Grosso (OAB/MT) e Procuradoria da Assembleia. Há anos, o maior projeto de infraestrutura de transportes do Brasil enfrenta o desafio de lidar com uma série de impactos socioambientais. Segundo relatório publicado pelo Climate Polity Initiative (PPI), se nenhuma medida de mitigação for implementada, a ferrovia aumentará a demanda por terras e induzirá o desmatamento de 2.043 quilômetros quadrados de vegetação nativa no estado de Mato Grosso. Ainda segundo o relatório, esse aumento do desmatamento intensificará as emissões de carbono em 75 milhões de toneladas. Segundo pesquisadores, a Ferrovia Ferrogrão, que pretende reestruturar o sistema de transporte de cargas do país, precisa comprovar que sua viabilidade não resultará na redução de áreas florestais protegidas na região amazônica nem na invasão de terras indígenas. A abertura de uma nova rota de escoamento para o agronegócio tem provocado intensas disputas intensas no setor logístico, colocando gigantes em confronto direto. - [Katahirine: Lançada a primeira rede de cineastas mulheres indígenas do Brasil ](https://alente.com.br/2023/05/02/katahirine-lancada-a-primeira-rede-de-cineastas-mulheres-indigenas-do-brasil/): Da redação Foto de capa: Live de lançamento/Katahirine A produção audiovisual indígena é rica e conta com forte participação feminina, mas ainda é pouco conhecida dos brasileiros. Para mudar essa situação, foi lançada a Katahirine, a primeira rede de mulheres indígenas que se dedicam a produções audiovisuais.  A rede nasce unindo 71 mulheres de 32 etnias - entre elas, nomes como Graci Guarani e Olinda Wanderley Yawar Tupinambá, diretora e codiretora do projeto Falas Da Terra, da TV Globo, e Patrícia Ferreira Pará Yxapy, diretora de filmes que já participaram de festivais no Brasil e no mundo, como o Doclisboa, em Portugal, a Berlinale, na Alemanha, e o Margareth Mead Film Festival, em Nova York, nos Estados Unidos.  O lançamento da primeira rede audiovisual de mulheres indígenas do Brasil aconteceu no sábado, 29 de abril, em uma live no canal do Instituto Catitu no Youtube. A Katahirine - Rede Audiovisual das Mulheres Indígenas é aberta, coletiva e composta por mulheres que atuam nas áreas do audiovisual e comunicação. Seu principal objetivo é fortalecer a luta dos povos originários por meio do cinema. A rede nasce a partir da atuação do Instituto Catitu e começa a tomar forma com um mapeamento inédito das cineastas indígenas no Brasil.  Para as mulheres de seu Conselho Curador, a construção do coletivo é fundamental para as lutas do movimento das mulheres originárias e seus povos,  O foco inicial do mapeamento e da construção da rede é no Brasil, mas a meta é abarcar cineastas de povos originários de outros países da América Latina. A primeira iniciativa para dar visibilidade à produção audiovisual das mulheres indígenas é o site que foi lançado no dia 29 de abril. Ele funcionará como uma plataforma onde cada cineasta terá uma página com seu perfil, biografia e suas produções. Futuramente, a rede planeja promover encontros entre as realizadoras de todo o país e organizar mostras. A Katahirine atuará ainda no desenvolvimento de estratégias de fortalecimento do audiovisual indígena e na proposição de políticas públicas que atendam a produção do cinema feito pelas mulheres indígenas.  O  trabalho aborda questões centrais dos povos indígenas, como a recuperação das memórias históricas, a reafirmação das identidades étnicas, a valorização dos conhecimentos tradicionais, das línguas e do papel das mulheres nas nossas sociedades. Para Mari Corrêa, diretora do Instituto Catitu, responsável pela coordenação do projeto, o audiovisual tem sido uma ferramenta de luta das mulheres indígenas.  As produções cinematográficas têm contribuído para que elas reivindicam direitos, denunciem retrocessos e ocupem seu espaço na sociedade indígena e não indígena” reforça ela.   Origem da palavra Katahirine  Katahirine é uma palavra da etnia Manchineri que significa constelação. Assim como o próprio nome sugere, Katahirine é a pluralidade, conexão e a união de mulheres diversas que se apoiam e promovem mulheres indígenas no audiovisual brasileiro. Dessa constelação participam mulheres de todos os biomas, de diferentes regiões e povos, mulheres indígenas que se uniram com o objetivo de fortalecer a luta dos povos originários por meio do audiovisual.  A Rede Katahirine foi concebida pelo Instituto Catitu, organização que atua junto aos povos indígenas para o fortalecimento do protagonismo das mulheres e jovens na defesa de seus direitos por meio do uso de novas tecnologias como ferramentas para expressar, transmitir e compartilhar conhecimentos a partir de suas visões de mundo.      - [ATL chega ao fim com homologação de seis terras indígenas e promessa de novas homologações durante governo Lula](https://alente.com.br/2023/04/29/atl-chega-ao-fim-com-homologacao-de-seis-terras-indigenas-e-promessa-de-novas-homologacoes-durante-governo-lula/): Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas - [Maior mobilização indígena do país, ATL 2023 inicia nesta segunda (24)](https://alente.com.br/2023/04/24/maior-mobilizacao-indigena-do-pais-atl-2023-inicia-nesta-segunda-24/): Da Redação Foto: Kamikia Kisedje / APIB Acampamento Terra Livre 2023 inicia nesta segunda-feira (24) em Brasília (DF) reunindo a maior mobilização indígena do país. Realizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), juntamente com suas organizações regionais de base. A programação será realizada entre os dias 24 e 28 de abril, e busca destacar a necessidade da demarcação das terras indígenas, pedindo o fim da violência e declarando uma "Emergência Climática" para lidar com o racismo ambiental e as violações de direitos decorrentes das mudanças climáticas. Com o tema "O futuro indígena é hoje. Sem demarcação não há democracia!", espera-se que mais de seis mil indígenas estejam presentes no acampamento, que acontece na Praça da Cidadania em Brasília. Na programação também está prevista uma subida na rampa do Palácio do Planalto em uma crítica aos atos terroristas ocorridos no dia 8 de janeiro. Os indígenas pedem a retirada dos chamados "PLs da Morte". A programação do ATL 2023 inclui ainda mais de 30 atividades divididas em cinco temas principais: "Diga ao povo para avançar, Aldear a Política, Demarcação Já, Emergência Indígena e Avançaremos". Os eixos envolvem plenárias sobre mulheres indígenas, LGBT+, gestão territorial e ambiental de terras indígenas, acesso a políticas públicas e povos indígenas em isolamento voluntário. Durante o evento, haverá três marchas pelas ruas de Brasília, incluindo uma em 24 de abril, que pedirá a derrubada dos projetos de leis anti-indígenas. O ATL deste ano também servirá como um espaço para discutir as implicações do Marco Temporal para os direitos dos povos indígenas, com uma plenária marcada para o dia 27 de abril e uma vigília em frente ao Supremo Tribunal Federal no dia 26. A programação completa do evento pode ser encontrada no site da Apib. O ATL é organizado pela Apib e construído em conjunto com suas sete organizações de base, incluindo a APOINME, a Arpinsul, a Arpinsudeste, a Comissão Guarani Yvyrupa, a COIAB, o Conselho do Povo Terena e a Assembleia Geral do Povo Kaiowá e Guarani (Aty Guasu). - [Ataque à floresta e seus defensores](https://alente.com.br/2023/04/23/ataque-a-floresta-e-seus-seringueiros/): Escritório regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas é alvo de atentado em Belém (PA) e integrantes do conselho são ameaçados de morte Da redação/Bruna ObadowskiFoto de capa: Reprodução CNS/Pará Há uma luta que ecoa pelas florestas do Brasil, uma batalha de décadas travada por populações que dependem da natureza para sobreviver, sob a mira dos grandes fazendeiros e latifundiários. Desta vez, o alvo foi o escritório regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, em Belém (PA), que nesta sexta-feira (21) sofreu um atentado. O escritório foi invadido por homens armados que espancaram membros da instituição, roubaram documentos, dinheiro, computadores, televisão e equipamentos do projeto “Conexão Povos da Floresta”, que seriam instalados em territórios indígenas, extrativistas e quilombolas. Além disso, os bandidos fizeram ameaças diretas ao CNS, ordenando que pare de fazer denúncias em relação a questões de terras e grilagens. Eles também alertaram sobre um possível retorno para executar membros do Conselho. Os ataques frequentes a essas comunidades expõem as ameaças e a violência por parte de grupos interessados em explorar seus territórios de forma ilegal. Escritório do CNS, no Pará, invadido. Fotografia: Reprodução CNS. Em nota pública, a diretoria do CNS informou que não irá se calar e continuará lutando contra as injustiças sofridas pelas populações extrativistas no Pará e em outros estados onde a organização atua. Ainda segundo a nota, o Conselho está tomando medidas para que as autoridades locais investiguem e encontrem os responsáveis pelo atentado. Fundado em outubro de 1985, durante o I Encontro Nacional dos Seringueiros, em Brasília, o CNS é uma instituição importante na luta pelos direitos das populações extrativistas no Brasil. Sua criação foi resultado dos empates contra a expulsão da terra e a devastação da floresta, desenvolvida pelos Sindicatos de Trabalhadores Rurais (STR), especialmente o de Xapuri, cujo presidente era Chico Mendes. O atentado ocorrido em Belém é um ataque direto aos defensores dessas populações e à sua luta contra a exploração ilegal de recursos naturais e a invasão de terras. Para se ter ideia, de janeiro a setembro de 2019, houve um aumento de 76,3% no número de focos de incêndio em Unidades de Conservação. De acordo com o Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no mesmo período, foram detectados mais de 138 mil hectares (ha) com alertas de desmatamento em APs na Amazônia. Resultado direto da política antiambiental do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que reduziu as fiscalizações, sabotou órgãos de controle e incentivou o crime. - [DIA DA TERRA: Mudanças climáticas atingem novo recorde, alerta relatório da ONU](https://alente.com.br/2023/04/22/dia-da-terra-mudancas-climaticas-atingem-novo-recorde-alerta-relatorio-da-onu/): De 2015 a 2022 o planeta registrou os anos mais quentes desde 1850, com aumento recorde da emissão de gases de efeito estufa Da Redação O novo relatório anual da ONU divulgado na véspera do Dia da Terra, comemorado em 22 de abril, revelou que as mudanças climáticas continuaram avançando em 2022, com altos níveis de emissão de gases de efeito estufa levando a recordes de temperatura global, derretimento de geleiras e aumento do nível do mar. A tendência deve continuar por milhares de anos e eleva o grau de alerta para eventos climáticos extremos, que ameaçam a existência de nações inteiras. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, enfatizou a necessidade de uma ação climática acelerada com cortes de emissões mais profundos e rápidos para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 grau Celsius, além de investimentos em adaptação e resiliência, principalmente para países e comunidades mais vulneráveis. Foram apresentados dados alarmantes no relatório, como o fato de que os anos de 2015 a 2022 bateram um recorde: foram os oito mais quentes, mesmo com o resfriamento de um evento La Niña nos últimos três anos. Além disso, a concentração dos principais gases de efeito estufa em 2021 - último ano com dados consolidados - também superou a pior marca. O nível global do mar subiu 4,62 mm por ano entre 2013 e 2022, ameaçando algumas cidades costeiras e existência de nações de baixa altitude. O derretimento de geleiras no período de 2005 a 2019 e a perda total do gelo na Groenlândia e Antártida contribuíram com 36% para a elevação do nível do mar, enquanto o aquecimento das águas contribuiu com 55%. O relatório destacou ainda que as taxas de aquecimento do oceano foram significativamente altas nas últimas duas décadas e que 58% da superfície oceânica experimentou pelo menos uma onda de calor em 2022. O aumento das emissões de gases de efeito estufa continua a afetar gravemente as populações em todo o mundo, com eventos climáticos extremos como secas, inundações e ondas de calor recordes, causando insegurança alimentar, impulsionando a migração em massa e causando bilhões de dólares em perdas e danos. O relatório concluiu que é necessária uma ação urgente e acelerada para enfrentar as mudanças climáticas, com mais investimentos em adaptação e resiliência para os mais vulneráveis e cortes rápidos e profundos nas emissões de gases de efeito estufa para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 grau Celsius. O relatório da ONU complementa o sexto relatório de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que traz dados até 2020. - [Desmatamento na Amazônia triplica em março e faz trimestre fechar como o 2º pior em 16 anos](https://alente.com.br/2023/04/20/desmatamento-na-amazonia-triplica-em-marco-e-faz-trimestre-fechar-como-o-2o-pior-em-16-anos/): Embora tenha sido o quinto estado que mais desmatou a Amazônia, Rondônia teve o segundo maior aumento na destruição. A derrubada passou de 4 km² em março de 2022 para 22 km² em março de 2023, uma alta de 450%. Ou seja, quase seis vezes mais.  - [Conflitos por terra no Brasil aumentam 16,7% e atingem mais de 180 mil famílias em 2022](https://alente.com.br/2023/04/18/conflitos-por-terra-no-brasil-aumentam-167-e-atingem-mais-de-180-mil-familias-em-2022/): Fonte: CEDOC Dom Tomás Balduino/CPT Fotografia de capa: Ahmad Jarrah Em 2022 foram registradas 1.572 ocorrências de conflitos por terra no país. O número representa um aumento de 16,70% em relação ao ano anterior. Ao todo, 181.304 famílias viveram diante da mira desse tipo de conflito no Brasil, 4,61% a mais que o registrado em 2021. Os casos inseridos nesse eixo são as ocorrências de violências contra a Ocupação e a Posse e Contra as Pessoas, além das ações coletivas de Ocupação de terras e Acampamentos. Os dados apontam que, em 2022, o aumento dos casos de violência por terra (1.500 registros) contribuíram proporcionalmente para a diminuição do número de ocupações e acampamentos (72), o que demonstra o cenário de martírio no qual se encontram os povos do campo, das águas e das florestas no Brasil. Essa dura realidade associa-se diretamente à política do ódio contra os injustiçados e injustiçadas da Terra e à ausência de políticas estruturantes para o campo. Com estes números, encerra-se o ciclo de quatro anos do governo Bolsonaro, período marcado por ser o mais violento contra essas populações no século XXI. Geografia dos conflitos por terra A região Norte concentrou o maior número de ocorrências de conflitos por terra do país (626 casos), seguida da região Nordeste (496), Centro-Oeste (278), Sudeste (94), e região Sul (78). Os estados com os maiores números de ocorrências desse tipo de conflito foram: Bahia (179), Maranhão (178), Pará (175), Amazonas (152) e Mato Grosso (147). Os dois últimos destacam-se ainda por registrarem os maiores crescimentos de conflitos por terra de 2021 para 2022, com saltos de 120,28% e 61,53%, respectivamente. Das cinco unidades da federação com índices mais elevados, quatro integram a Amazônia Legal. A região concentrou 59% de todas as ocorrências de conflitos por terra registradas pela CPT em 2022, com 926 casos, uma porcentagem maior do que os 51% registrados em 2021. A curva ascendente na Amazônia Legal a torna um dos mais graves epicentros da violência no campo na atualidade. Esse cenário reflete a determinação política do governo federal em transformá-la num palco de exploração e devastação, criando um verdadeiro campo minado, no qual foram atingidas 121.341 famílias de povos originários e comunidades camponesas em 2022. Povos indígenas e posseiros são os principais atingidos Por trás dos números dos conflitos por terra está o martírio de famílias, povos e comunidades que vivem uma rotina de ataques contra suas vidas e suas terras e territórios. Desde 2019, os povos originários aparecem nos registros da CPT como a categoria que mais vem sofrendo ocorrências de violências nesse eixo. Em 2022, eles seguiram em evidência. Do total de ocorrências registradas, 28% envolveram povos indígenas. Em seguida, estão as famílias posseiras, envolvidas em 19% dos casos, as comunidades quilombolas (16%), sem terras (11%) e famílias assentadas da reforma agrária (9%). Outras categorias camponesas apareceram em menor porcentagem, como: fundo e fecho de pasto, ribeirinhos, pescadores e extrativistas. Os dados também apresentam os principais causadores desses conflitos, os quais incluem grandes empreendimentos de exploração mineral e de geração de energia, empresas do agronegócio e monocultivos, garimpo, pecuária e o próprio Estado brasileiro. Em 2022, os fazendeiros foram responsáveis por 23% das ocorrências de conflito por terra, seguidos do governo federal, com 16% , empresários, com 13% e grileiros, com 11% . A principal mudança em relação ao ano de 2021 foi o crescimento da participação do governo federal nos conflitos por terra, que saltou de 10% para os já mencionados 16% O protagonismo do Poder Executivo foi observado não apenas na execução de ações destinadas a coibir grupos sociais no campo, como também na omissão e conivência em contextos de conflitos por terra e violações de direitos. Invasão de territórios, despejo, grilagem, pistolagem, agrotóxicos: a rotina de ataques contra povos e comunidades Os registros da CPT evidenciam a intensidade e os tipos de violência a que estão submetidos os povos do campo, das águas e das florestas. Em 2022, a ação mais recorrente registrada pela CPT contra essas populações foi a invasão de territórios, que afetou 95.578 famílias em todo o país, e mais: do total de assassinatos no campo ocorridos em 2022, 14,89% estavam associados a esse tipo de violência. Em 2021, o número foi de 5,56%. Segundo o levantamento do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino (Cedoc-CPT), as invasões de territórios vêm crescendo no país, sobretudo a partir de 2019. Entre 2013 e 2022, houve 1.935 ocorrências no Brasil. Porém somente nos anos do governo bolsonarista foram registradas 1.185 ocorrências desse tipo de violência, o equivalente a 61,25% dos registros da década. Do total de 661 Terras Indígenas invadidas na última década, 411 das ocorrências se deram entre 2019 e 2022. Essas ações associam-se a outra registrada pela CPT: o desmatamento ilegal, que em 2022 atingiu 59.318 famílias no país. A pistolagem no campo também cresceu em 2022. O Cedoc-CPT registrou 180 ocorrências desse tipo de violência no ano, um aumento de 86% em comparação a 2021. O número de famílias afetadas foi de 30.624, 32% a mais do que o registrado no ano anterior. Os dados também indicam que 27,66% dos assassinatos no campo estavam ligados a alguma ocorrência de pistolagem. Em 2021, a porcentagem foi de 11%. O levantamento feito pela CPT destaca que a prática de pistolagem no campo emerge em contextos de ausência de mediação ou atuação do Estado para solucionar ou pelo menos mitigar os conflitos no campo. Já o número de famílias ameaçadas de despejo foi de 24.258, um aumento de 37% em relação ao ano anterior. O índice acende um alerta para as populações do campo e organizações sociais sobre a atuação do Poder Judiciário nos próximos períodos, uma vez que não está mais vigente a lei 14.216/2021 que determinou, até o ano passado, a suspensão de despejos em razão da pandemia da Covid-19. O Caderno Conflitos no Campo Brasil 2022 evidencia ainda outra situação alarmante: em 2022, 6.831 famílias foram atingidas pela aplicação de agrotóxicos, 86% a mais que 2021 e o maior registrado pela CPT desde 2010 apurada pela Pastoral. O uso criminoso de agrotóxicos como arma química tem sido, quando esse tipo de violência passou a ser denunciado pelas populações afetadas como uma estratégia para inviabilizar a permanência delas na terra ou no território ao impactar diretamente o direito à alimentação adequada, à água limpa e à saúde. Um dos casos registrados em 2022 ocorreu nas comunidades dos Engenhos Fervedouro e Barro Branco, localizadas no município de Jaqueira, Zona da Mata Sul de Pernambuco. As famílias agricultoras posseiras da localidade já enfrentavam um conflito por terra provocado por empresários pecuaristas quando, em setembro, foram surpreendidas com a pulverização de agrotóxicos, por meio de drones, em suas lavouras. A aplicação do veneno não apenas devastou as plantações, como contaminou as fontes de água que abastecem os agricultores e agricultoras da comunidade. Assassinatos marcam os conflitos pela água no Brasil Em 2022, foram registradas 225 ocorrências de conflito pela água, sendo 57,7% situadas na Amazônia Legal. Ainda que o número total seja 27,65% menor em comparação a 2021, esse tipo de violência atingiu, em 2022, níveis brutais, com registro de quatro assassinatos. Dois deles ocorreram no estado do Amapá, no dia 23 de janeiro de 2022. Na data, os pescadores Elias Penha Gibson e Gedeão Dias de Oliveira foram assassinados a mando de fazendeiros em razão do conflito pelo território de uso tradicional no entorno do Lago Pracuúba. Outros dois casos ganharam repercussão internacional: os assassinatos do indigenista e servidor da Funai Bruno Pereira, 41, e do jornalista britânico Dom Phillips, 57, que vinham combatendo a prática de pesca ilegal em território indígena. Bruno e Dom foram mortos no dia 5 de junho após expedição pelo Vale do Javari, no Amazonas. Os estados que mais registraram ocorrência de conflitos pela água foram o Pará, com 51 registros, seguido do Maranhão, com 26, e do Amazonas, com 25. Quanto aos principais agentes causadores, apesar de a mineração ser uma das atividades econômicas protagonistas na disputa por esse bem, em 2022 ganharam destaque os empresários nacionais e internacionais, responsáveis por 32% das ocorrências. Nesse setor estão presentes as empresas ligadas ao agronegócio, que têm sido alvo de denúncias e críticas por parte de povos, comunidades e organizações sociais uma vez que atuam por meio da apropriação, contaminação, privatização e mercantilização desse bem. Com relação à categoria afetada, diferente de anos anteriores em que pescadores eram os mais atingidos, em 2022 foram os povos indígenas os que mais sofreram esse tipo de violência, aparecendo em 46 das 225 ocorrências. - [Desmatamento em terras indígenas na Amazônia emitiu 96 milhões toneladas de gás carbônico, revela estudo](https://alente.com.br/2023/04/18/desmatamento-em-terras-indigenas-na-amazonia-emitiu-96-milhoes-toneladas-de-gas-carbonico-revela-estudo/): Durante o governo Bolsonaro, com o enfraquecimento das instituições ambientais e tentativas inconstitucionais de exploração econômica desses territórios, o desmatamento aumentou significativamente. Junto com essa atividade vem a emissão de gás carbônico, que compromete as metas de redução assumidas pelo Brasil em acordos climáticos. Os resultados do nosso trabalho, portanto, são uma importante contribuição para o novo governo na reconstrução do sistema de gestão ambiental do país. - [Aldear a política](https://alente.com.br/2023/04/17/aldear-a-politica/): Nós temos direito de proteger nossos territórios - [Protagonismo indígena na literaura](https://alente.com.br/2023/04/16/protagonismo-indigena-na-literaura/): A literatura indígena estar presente, principalmente nos meios escolares e espaços de aprendizado, é de vital importância, pois é por meio da literatura que se pode conhecer a alma de uma cultura, de um povo. E, por meio da alma, vem toda uma visão de mundo que nos permite, consequentemente, eliminar a ignorância em relação ao outro. Daí, nasce o respeito à diversidade e abre-se a possibilidade de aprendizados novos, diversos. - [O gosto amargo das frutas brasileiras padrão exportação](https://alente.com.br/2023/04/12/o-gosto-amargo-das-frutas-brasileiras-padrao-exportacao/): Mão de obra barata e migrante, uso intenso de água e concentração de terra formam as bases do “sucesso” de um setor que tem batido recorde Por Mariana Costa, com colaboração de Maíra Mathias, enviadas à Bahia, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte/ O Joio e O TrigoImagem de capa: Ilustração O Joio e O Trigo Era uma tarde de um domingo quente e seco quando chegamos na casa de Dona Francisca*, em Maniçoba, distrito da cidade de Juazeiro, na Bahia. Ela nos convida a entrar, oferece cadeiras de plástico e água gelada. Na sala, havia um sofá de dois lugares sobre o chão no contrapiso e uma televisão. Oito pessoas, entre filhos e netos, se dividem entre dois quartos, sala, cozinha e banheiro. No lugar de portas, cortinas. A casa de tijolo aparente foi uma conquista recente para a família. “Está inacabada”, adverte.  Francisca, de 49 anos, e o marido Antônio*, de 53, são agricultores e chegaram a Juazeiro nos anos 90 fugindo da seca na Paraíba. Seguiram o caminho dos pais e de centenas, talvez milhares de sertanejos que migraram para o Vale do São Francisco, o eldorado verde do Nordeste. Os dois se conheceram nas roças de melão, tomate e laranja, no lote que trinta anos depois daria origem a uma das grandes exportadoras de uvas e mangas onde trabalham até hoje. “Nós ajudamos a fundar a empresa”, orgulham-se. Antônio passou por todas as funções no campo ao longo de 27 anos. Hoje é tratorista. Francisca conseguiu livrar-se dos contratos temporários por safra para trabalhar como auxiliar de serviços gerais. Ela recebe um salário mínimo; o marido, um pouquinho mais que isso. Foto: Raquel Torres  Em 2020, o casal teve de sair da casa onde viviam havia 15 anos, em meio a centenas de mangueiras enfileiradas de um lado e de outro. “Quando a certificadora veio, pediu para que não tivesse moradia na roça por conta do agrotóxico”, conta Francisca. Não ter trabalhadores morando nas fazendas é exigência das certificações que tratam das condições socioambientais de produção no campo, necessárias para uma empresa exportar frutas. Obrigada a se retirar às pressas e sem dispor de nenhum auxílio pra isso, a família enfrentou dificuldades pra recomeçar. “Foi um impasse muito grande. A gente, que ganha salário, sabe que pagar aluguel, luz e água não é fácil. Foi um impacto a gente sair de lá”, lembra.  Francisca e Antônio são atores e testemunhas do processo de transformação do Vale do São Francisco em um polo agroindustrial de produção e exportação de mangas e uvas. Se em quase trinta anos de trabalho a vida deles segue difícil, neste mesmo período a fruticultura brasileira se desenvolveu e se modernizou, e o Brasil se consolidou como um importante fornecedor de frutas frescas a mercados exigentes como Europa e Estados Unidos. O setor cresce e vem ganhando fôlego, galgando maior espaço e peso no agronegócio brasileiro. Desde 2016, ano a ano, a fruticultura de exportação obtém resultados notáveis. Durante a pandemia, entre 2020 e 2021, os exportadores de frutas comemoraram volume e faturamento recordes, ultrapassando a barreira do primeiro bilhão em dólares e 1,24 milhão de toneladas despachadas ao exterior. Em meio ao agravamento da crise econômica, sanitária e social no Brasil, as exportações de frutas somaram US$ 1,21 bilhão em 2021, 20% a mais em relação ao ano anterior. No ano passado os resultados foram um pouco abaixo do esperado, sob impacto da alta no preço de insumos e de problemas em cadeias logísticas causados pela guerra na Ucrânia -- apenas um engasgo numa trajetória que tem tudo para ser de crescimento. O alto nível de tecnologia empregada na agricultura irrigada e a pujança que o setor vem conquistando contrastam com as condições de trabalho e de vida de uma mão de obra migrante e mal remunerada. Por trás do sabor doce das frutas premium do Brasil nas prateleiras mundo afora, há o amargor da vida de milhares de Franciscas e Antônios.  A entrevista com o casal paraibano foi a primeira de dezenas que fizemos ao longo de duas semanas de viagem pelos dois maiores polos de produção de frutas do Brasil na série especial “No Rastro das Frutas de Exportação”. Estivemos na região do Vale do São Francisco, entre Pernambuco e Bahia, e percorremos cidades do Baixo Jaguaribe e da Chapada do Apodi, entre o Ceará e o Rio Grande do Norte, outros dois importantes complexos agroindustriais concentrados na produção de melão e melancia para exportação.  Para evitar retaliações, todos os trabalhadores aparecem com nomes fictícios, e sem relacioná-los diretamente às empresas nas quais trabalham -- os nomes das empresas estarão ao final dessa reportagem e em todas as reportagens da série.  “Quando a gente começou era de um colono japonês. Ele trabalhava com a gente na roça, vinha em casa tomar café. Até que vendeu o lote pra uma empresa e a gente ficou na firma”, lembra Antônio. Eles não sabem dizer quem são os donos hoje, nem para quais países as frutas que produzem são enviadas. “Não tem exatamente um dono, eles são tipo um grupo de acionistas”, explica. “Eles até conversam com a gente, mas não é como era antes. Esses daí não vão na casa da pessoa pra tomar um café. São mais chiques”, resume Francisca. O casal de agricultores se refere aos primeiros colonos que migraram de outros estados nos anos 70 e 80 graças a incentivos do Estado para a produção de alimentos. Era parte do projeto de expansão de fronteiras agrícolas que aconteceu em diversas regiões do Brasil durante a ditadura (1964-85), em um processo marcado pela exclusão de populações originárias. No semiárido, houve a criação dos primeiros perímetros irrigados, um modelo de organização territorial que reúne um conjunto de estruturas hídricas construídas pelo Estado. Houve ainda créditos, subsídios e assistência técnica para esses produtores. Seguindo o movimento de acumulação e flexibilização do capital, hoje a produção de frutas brasileiras enviadas ao exterior está concentrada em grandes nomes do agronegócio e em empresas multinacionais. O sucesso desses pólos em termos comerciais e econômicos contribuiu para a criação de empregos e para a entrada das mulheres no mercado de trabalho, mas também acirrou conflitos em uma região de escassez hídrica que até hoje vive disputas por terra e água.  Uso intenso de água, concentração de terra e trabalho barato A fruticultura de exportação se fundamenta num trinômio de exploração de três recursos: água, terra e trabalho de baixa remuneração. A força de trabalho se divide entre trabalhadores formais celetistas, trabalhadores formais safristas -- ambos conhecidos como “fichados” -- e trabalhadores informais, os diaristas. Estes são os menos protegidos em uma realidade de trabalho que é dura no geral. Chama atenção a disparidade entre a riqueza gerada com as frutas e as condições de trabalho neste setor. O valor total da produção de uva, manga, melão e melancia no semiárido alcançou R$ 5,6 bilhões em 2021, segundo o dado mais recente da Produção Agrícola Municipal, do IBGE. A grande maioria dos agricultores e agricultoras assalariados recebe um salário mínimo e nada mais. Nos dois anos de recordes seguidos de exportação, houve muita luta para que as empresas reajustassem os salários para repor, ao menos, a inflação do período. Mas a atuação sindical esbarra ainda em problemas mais elementares -- sim, ainda mais elementares que salário mínimo --, como o fato de a maioria das empresas não fornecer alimentação, nem local adequado para as refeições, nem plano de saúde.  “A alimentação é algo mais chocante. A gente lamenta muito o fato de o assalariado e a assalariada rural do Vale São Francisco ainda ser tratado -- tratado não, ainda ser boia fria. É uma marca que a gente carrega e chega a ser vergonhoso porque o que se gera de riqueza aqui nessa região é algo muito destacado. As condições de trabalho dadas aos trabalhadores não acompanham as riquezas que vêm sendo geradas”, critica José Manoel dos Santos, o Zezinho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Juazeiro (BA).  Essa contradição aparece expressa de forma contundente no baixo consumo de frutas por esses trabalhadores, muitos vivendo em algum grau de insegurança alimentar. “Tem que economizar bastante e deixar de comer alguma coisa para poder se manter com o salário. É triste você chegar no caixa e ter que devolver o que pegou porque não pode pagar. Aqui ainda temos nós dois, mas tem colegas que levam apenas feijão e cuscuz porque não têm outra coisa pra comer”, relata Francisca.  Ano a ano, a pauta da alimentação se repete nas convenções coletivas de trabalho nos sindicatos tanto do Vale do São Francisco, como na região do Baixo Jaguaribe e na Chapada do Apodi. Até mesmo a oferta de água potável e gelada nas fazendas foi resultado da luta dos trabalhadores e sindicatos. Mesmo com a proximidade dos locais de produção, as frutas são vendidas a preços semelhantes aos encontrados em mercados e feiras do Sudeste. Em 2022, foi um dos grupos de alimentos que mais subiram de preço: houve alta de 24%, quatro vezes mais que a média geral aferida pelo IPCA (5,79%), o indicador oficial da inflação no Brasil. Descartados quando adoecem A integração de fazendas exportadoras a mercados internacionais exigentes trouxe relativos avanços para os trabalhadores, como o alto índice de formalização dos vínculos trabalhistas, regras mais rigorosas no manejo dos agrotóxicos e a retirada de moradias nas instalações dessas empresas. Houve também a substituição do famigerado pau de arara por ônibus que transportam os trabalhadores até as fazendas no Vale do São Francisco. Nas demais regiões produtoras de frutas, os agricultores não contam com este benefício. Eles precisam arcar com o deslocamento por meios próprios, já que a maioria das cidades não dispõe de transporte público.  Mas as certificações têm limitações e não são suficientes para evitar práticas abusivas, como a pressão para que trabalhadores peçam demissão e percam o direito às indenizações. Isso ocorre quando esses agricultores adoecem, o que é relativamente comum em uma atividade fisicamente desgastante e que cobra um preço alto à saúde. “Pra não ficar nesse desgaste entre entrar na previdência social, falta de condição de trabalhar e ir pra empresa e não conseguir produzir, o trabalhador é levado a um pedido de acordo. Ou até mesmo chega ao ponto de ser de fato assediado pelos empregadores para que faça esse tipo de acordo”, explica Zezinho. A reforma trabalhista aprovada no governo de Michel Temer agravou o quadro, permitindo acordos diretos entre patrão e funcionário sem intermediação sindical.  Na sede do sindicato de Juazeiro, o entra e sai de homens e mulheres era constante. A maioria, safristas à espera de homologação após o término dos contratos temporários. A grande massa de trabalhadores sofre com o aspecto transitório do trabalho por safra. Eles ficam, em geral, de 3 a 5 meses do ano empregados. E não conseguem acessar benefícios como o seguro-desemprego: com a mudança na lei, é preciso ter pelo menos seis meses de trabalho para receber três parcelas. Todos vivem a incerteza se serão chamados novamente na próxima safra. Muitos sonham em adquirir um lote, voltar a produzir em seus assentamentos ou trabalhar como meeiro (quando o valor obtido pela produção é compartilhado com o dono da terra). O dinheiro da rescisão ao serem demitidos é muitas vezes a oportunidade para que esses trabalhadores, quase todos oriundos da agricultura familiar, voltem a cultivar alimentos. Francisca e Antônio, como a grande maioria ali, cresceram ajudando os pais a cultivar as chamadas culturas de inverno -- milho, feijão, mandioca -- e sobreviviam desta produção nos demais meses do ano. “Aqui é o Nordeste verde, lá é o Nordeste seco. Só se vive de chuva”, explica Antônio. Com as dificuldades em ter acesso à água, as duas famílias resolveram tentar a vida no Vale do São Francisco nos anos 90.  Naquele tempo, era comum ter crianças trabalhando nas roças. “Se tinha filho em casa, todos que tinham que trabalhar, não podia ninguém ficar em casa. Nesse tempo só o meu pai tinha carteira assinada. Ele era obrigado a nos levar para trabalhar ali. O menor recebia meio salário: não tinha direito ao salário completo, mesmo que trabalhasse como um adulto”, lembra Francisca. Metas por produtividade A cobrança por produtividade e o atendimento precário de saúde são práticas comuns relatadas por praticamente todos os trabalhadores entrevistados. “Você quer saber quem é seu patrão? Não dê produção a ele pra você ver”, sintetiza Antônio. “A empresa é muito boa, mas não é de tratar o funcionário doente. A empresa não manda embora, tem que pedir pra sair. E acaba perdendo o que tem de direito, porque metade vai embora com a rescisão”, completa Francisca. Ela conta que um cartaz chegou a ser afixado nas dependências da empresa com o alerta de que quem precisasse sair, teria de se demitir. Por trás das frutas consumidas nos mais longínquos cantos do Brasil e do mundo, há o trabalho de homens e mulheres invisibilizados. “Tais sujeitos não só são invisibilizados, como também são relegados a eles e elas os principais riscos provenientes da contaminação socioambiental e do trabalho precário”, concluiu o geógrafo e pesquisador Diego Pessoa Irineu de França, autor de uma tese de doutorado sobre o tema. Desmaios, mal estar e outros agravos são comuns até que esses trabalhadores se habituem ao calor intenso do sertão. Ouvimos ainda relatos de empresas que dispõem de apenas um enfermeiro para atender até três fazendas e doentes transportados em carros particulares por falta de ambulâncias, além de pouca disponibilidade de medicamentos simples, como analgésicos para dores de cabeça. Faltas, mesmo que justificadas, não são bem vistas pelas empresas. “A gente que não tem costume de trabalhar no sol adoece mesmo. Começa em geral com a garganta, porque pega aquele sol medonho. É um sol quente doido! Quando você olha assim chega a estremecer a vista”, relata Joana*, ex-funcionária de uma grande empresa produtora de acerolas orgânicas para exportação em Jaguaruana, no Ceará. Há cerca de um ano, Joana fez um acordo com seus patrões para que fosse demitida e pudesse acompanhar mais de perto o filho caçula. O marido ainda trabalha lá. São assentados da reforma agrária e vivem em uma casa simples no assentamento Bela Vista. Na parede da sala, chama atenção um banner com a imagem de um rapaz. Ela explica que é o irmão, assassinado em um latrocínio quando retornava do trabalho. Os relatos de assaltos e crimes de pistolagem contrastam com o clima bucólico dessas comunidades rurais.  Assentamento Bela Vista, em Jaguaruana, Ceará. Foto: Raquel Torres Presidente do sindicato da cidade, Joelson Saraiva conta que as metas por produtividade são comuns também naquela região. “Você tinha que apanhar no mínimo vinte e um baldes por dia. Quando era inverno (período chuvoso no sertão) a acerola carregava e tinha muita, muita, muita carga. A gente apanhava ali 50, 60 e até 80 baldes ", lembra. Os trabalhadores colhem as acerolas e vão carregando os baldes: dois na mão e um no pescoço. Há os que conseguem carregar até cinco baldes por carreira.  Recebiam R$ 2 por balde. “Mas, no período de seca, que é só na aguação, é mais difícil. Os melhorzinhos apanhavam, os mais fraquinhos não conseguiam bater a meta. A culpa do verão é do trabalhador?”, questiona Joelson.  Quem trabalha pode consumir as frutas à vontade, uma exceção -- única, talvez -- diante das demais fazendas exportadoras cujos trabalhadores entrevistamos. No Ceará, reajuste de R$ 17 Se em Juazeiro e Petrolina observamos uma atuação sindical bastante organizada, chegando na região do Baixo Jaguaribe e na Chapada do Apodi as dificuldades para os sindicatos são maiores.  Essa diferença fica clara nas negociações anuais para a convenção coletiva, que determina os reajustes salariais e outras garantias para os trabalhadores assalariados. No Vale do São Francisco, houve acordo para uma atuação articulada e interestadual dos sindicatos das cidades que compõem o polo produtor de frutas. Este ano, a reivindicação é de um reajuste de cerca de 9,5% sobre o salário mínimo vigente, entre outras pautas. Enquanto escrevo essa reportagem, as negociações avançam para a sétima rodada, com as empresas do Vale do São Francisco irredutíveis na oferta de 6,01% de aumento. Um valor que não chega a R$ 40 e nem sequer pode ser considerado um reajuste, já que apenas repõe a inflação acumulada do período (5,93%). A expectativa é que as conversas sejam retomadas na segunda quinzena de abril. "Eles sustentam que é o limite e estão irredutíveis para outras evoluções. A situação segue desanimadora, diante dessa negativa das empresas em melhorar as condições salariais e de vida dos assalariados e assalariadas rurais da hortifruticultura do Vale do São Francisco", informou Zezinho, presidente do sindicato de Juazeiro.  Como a grande maioria, Zezinho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Juazeiro, também veio da agricultura familiar e tornou-se assalariado após dificuldades em acessar terra e água. Foto: Raquel Torres No Ceará, este ano, a categoria obteve um reajuste de R$ 15 para R$ 17. Isso representa apenas 1,3% sobre o salário mínimo que passou a vigorar em janeiro deste ano, de R$ 1.302. “Todo ano a gente tenta aumentar um pouquinho. O salário mínimo é muito pouco por conta do gasto que o trabalhador tem, porque ele gasta com transporte e alimentação. Só que as empresas têm sempre aquele chorozinho dizendo que estão passando por dificuldades. Mas não teve crise nenhuma, mesmo com a pandemia. Na parte da fruticultura, não teve”, afirma Francisca Fabricia Maciel, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas do Baixo Jaguaribe. Fabricia e um colega são responsáveis por atender às demandas de trabalhadores de 14 municípios que compõem essa região. Com a seca que o Ceará enfrentou ao longo de quase dez anos e o uso intensivo da água pelos fruticultores, a produção hoje está concentrada apenas em Russas, Limoeiro do Norte e Quixeré. Ela relata dificuldades em ter acesso aos agricultores assalariados, já que a entrada nas fazendas só é permitida nos horários de almoço. Muitos ainda olham com desconfiança a presença dos sindicalistas. O fato de muitos agricultores migrarem de outros locais para os períodos de safra e não se fixarem nos municípios torna mais difícil a atuação das lideranças sindicais. Há vigilância sobre o envolvimento dos trabalhadores com os sindicatos.  Empresas avançam sobre a Chapada do Apodi De fato, as empresas da fruticultura não pararam nem um dia sequer durante a pandemia. E foi durante este período, em 2020, que os exportadores obtiveram uma importante conquista: a abertura do mercado chinês para o melão brasileiro. A assinatura de acordos bilaterais de comércio específicos foi uma agenda política, econômica e diplomática implementada com relativo sucesso pelo governo de Jair Bolsonaro. Isso aumenta -- e muito -- a pressão sobre cidades que estão no lado potiguar da Chapada do Apodi, onde a disponibilidade de água nos aquíferos é maior. “Apodi agora está no olho do furacão: tem terra e tem água. As empresas cearenses estão indo pro Rio Grande do Norte seguindo a flexibilidade hídrica”, explica Diego Gadelha, pesquisador e professor do Instituto Federal do Ceará em Fortaleza. Ele menciona cidades como Lagoinha e Baraúna, que sofreram um boom com a entrada de até três mil trabalhadores por safra e depois foram abandonadas pelas empresas. O que ficou foi um rastro de desemprego e dificuldade para os pequenos agricultores acessarem água dos lençóis freáticos. Em Apodi, no entanto, a retomada de um projeto irrigado para atender o agrohidronegócio fruticultor enfrenta forte resistência. Além do temor de que a água acabe e dos riscos de contaminação pelo uso dos agrotóxicos, comunidades rurais formadas em sua maioria por agricultores familiares sofrem com o impacto da chegada e partida de uma massa de gente. São cerca de nove mil trabalhadores de diferentes regiões transitando por esses territórios nos picos de safra do melão.  “O grande mito do agronegócio é que chega gerando emprego e renda, e mudando a vida das pessoas. Mas, se for andar nas comunidades, a maioria das pessoas estão empregadas por, no máximo, três meses. Como essas famílias vão viver no restante do ano?”, critica Francisco Agnaldo de Oliveira Fernandes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Apodi. “E vão encontrar seu lote sem água. Isso desorganiza totalmente a vida deles.”  Francisco Agnaldo de Oliveira Fernandes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Apodi. Foto: Raquel Torres. 5 milhões de empregos?  Pela própria natureza de cultivos, que não podem ser mecanizados, a fruticultura cria mais empregos quando comparada a outros setores do agronegócio, como a cana, a soja e o milho. “O impacto social da fruticultura é gigantesco. O setor gera mais de cinco milhões de empregos e ainda é o mais inclusivo do agronegócio, já que a maioria dessas vagas é destinada às mulheres”, afirmou Guilherme Coelho, presidente da Abrafrutas, entidade que reúne os principais exportadores brasileiros, em uma rodada de negócios com empresários europeus.  Para o setor, é importante criar a imagem de uma atividade que adota práticas sustentáveis, cria milhões de empregos e proporciona a inclusão de mulheres no mercado de trabalho. Um combo washing voltado às grandes redes de supermercados europeus que compram essas frutas. Chama atenção também o aspecto hipócrita deste tabuleiro geoeconômico: são as gigantes europeias que fornecem agrotóxicos para o Brasil, muitos dos quais de uso proibido ou restrito nas frutas enviadas para a Europa.  Os cinco milhões de empregos são uma miríade frequentemente presente na fala de representantes dessas entidades, políticos favoráveis ao capital fruticultor e até na ida recente da Abrafrutas à COP-27, no Egito. Mas é difícil saber com precisão quantas vagas são geradas de fato pela fruticultura: não existem dados oficiais disponíveis a respeito deste setor. Atribuído ora à Embrapa, ora ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego) e ao IBGE, este número é fruto de um cálculo controverso. Em uma média geral, considerando todas as fruteiras, os cultivos geram cerca de 2 empregos e meio por hectare em todo o Brasil. Este dado aparece em um estudo encomendado pela Abrafrutas e por outras entidades agrícolas, e é endossado pela Embrapa. O cálculo foi feito a partir de entrevistas com produtores de várias frutas, segundo a Embrapa Mandioca e Fruticultura. Mas os cinco milhões não consideram, por exemplo, o fato de a maioria desses postos serem sazonais, por safra, e a duplicidade implicada nesta conta. Também não leva em conta oscilações no volume produzido ano a ano e que impactam diretamente nos empregos gerados. Considerando essa razão de emprego por hectare, as principais culturas do semiárido (uva, manga, melão e melancia) geraram cerca de 440 mil empregos. Os dados mais recentes são de 2021, segundo a Produção Agrícola Municipal, do IBGE. Mesmo sem incluir os demais estados produtores de outras frutas, é um número bem distante dos 5 milhões propagandeados pelo setor, considerando a grandeza da produção de frutas no Nordeste. Entramos em contato com a Abrafrutas, por meio de sua assessoria de imprensa, por e-mail e telefone, mas não fomos atendidos. Consultamos ainda as empresas Ebraz Exportadora, que nos retornou mas não respondeu às perguntas sobre denúncias de violações trabalhistas, benefícios oferecidos e as condições de trabalho nas fazendas. Por meio de nota, a empresa informou que “não queremos que vocês publiquem nada em nome da Ebraz”. O mesmo aconteceu com a empresa Best Fruit, incorporada pelo grupo Agrobras, e a Meri Pobo. Ambas receberam os questionamentos enviados por nossa reportagem, mas optaram por não responder.  * trabalhadores entrevistados tiveram sua identidade preservada para não sofrerem retaliações*a série especial sobre fruticultura de exportação teve o apoio da Oxfam Brasil - [Apenas um em cada quatro hectares desmatados nos últimos quatro anos tinha autorização ou foi fiscalizado, aponta MapBiomas](https://alente.com.br/2023/04/10/apenas-um-em-cada-quatro-hectares-desmatados-nos-ultimos-quatro-anos-tinha-autorizacao-ou-foi-fiscalizado-aponta-mapbiomas/): Dado é da nova versão do Monitor da Fiscalização do Desmatamento,  do MapBiomas, que passa a oferecer dados de outros cinco estados brasileiros:  Acre, Amazonas, Ceará, Espírito Santo e Rondônia Da redaçãoFoto de capa: Bruna Obadowski/ A Lente - Ilustração do desmatamento Apenas um em cada quatro hectares desmatados nos últimos quatro anos possuía autorização ou uma ação de fiscalização sobreposta, ou seja, 72,6% da área dos alertas de desmatamento validados e publicados pelo MapBiomas entre 2019 e 2022 possuem indícios de ilegalidade e não cruzaram espacialmente com ações de fiscalização. Esta é a conclusão geral obtida a partir dos novos dados do Monitor da Fiscalização do Desmatamento, plataforma online do MapBiomas que apresenta de forma estatística, direta, atualizada e transparente os dados de autorizações de desmatamento e ações de fiscalização por parte do governo federal e dos governos estaduais. Lançado em 2022 com informações sobre cinco unidades federativas (Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará e São Paulo), o Monitor da Fiscalização, que agora também conta com sua versão em Inglês, passa a compilar dados publicados de outros cinco estados brasileiros: Acre, Amazonas, Ceará, Espírito Santo e Rondônia. O Monitor da Fiscalização usa como base as informações fornecidas por órgãos federais e estaduais por meio de transparência ativa, que são cruzadas com os alertas de desmatamento publicados pelo MapBiomas Alerta para identificar o quanto do desmatamento detectado no Brasil tem ações de fiscalização sobrepostas. “De forma geral, o que os dados dos dez estados monitorados mostram é que o país ainda tem um alto índice de ilegalidade, apesar do avanço de alguns estados, e que precisa melhorar muito na sistematização e publicização das ações de combate ao desmatamento desempenhadas pelo poder público”, explica Ana Valdiones, do Instituto Centro de Vida (ICV) e coordenadora da plataforma. Informações de órgãos e sistemas federais mostram que autorizações presentes no Sinaflor ou ações de fiscalização do Ibama e ICMBio que cruzam com alertas de desmatamento representam 14,6% da área total dos alertas. “Isso representa pouco menos de 3% do número total de alertas”, destaca Ana. No Espírito Santo, 62,6% da área dos alertas de desmatamento cruzam com as autorizações e ações de fiscalização divulgadas pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (IDAF). Isso equivale a quase metade (49%) do número de alertas validados no estado. O Mato Grosso tem percentual semelhante: 62% da área dos alertas de desmatamento cruzam com as autorizações e ações de fiscalização divulgadas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA-MT), ou 33% do número de alertas validados no estado.  Em Minas Gerais, quase metade (48%) da área dos alertas de desmatamento cruza com as autorizações e ações de fiscalização divulgadas pelos órgãos ambientais de Minas Gerais. Isso significa que 27,6% do número de alertas foram validados no estado.  No caso de Goiás e São Paulo, o percentual cai para um pouco menos de um terço do total. Em Goiás, 30,5% da área dos alertas de desmatamento cruzam com as autorizações e ações de fiscalização divulgadas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Goiás (SEMAD-GO). Isso representa 10% do número de alertas validados no estado. No caso de São Paulo, o percentual da área dos alertas de desmatamento que cruza com as autorizações e ações de fiscalização divulgadas pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SIMA) é um pouco menor: 27,6%, que representam cerca de 27% do número de alertas validados no estado. No Pará, 17,4% da área dos alertas de desmatamento cruzam com as autorizações e ações de fiscalização divulgadas pela Secretaria de Estado de Meio e Sustentabilidade do Pará (SEMAS-PA). Isso representa cerca de 4% do número de alertas validados no estado. No Amazonas, 12,4% da área dos alertas de desmatamento cruzam com autorizações e ações de fiscalização divulgadas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), ou 1,8% do número de alertas validados no estado desde 2019. Os estados com menor percentual de validação dos alertas de desmatamento são Acre, Ceará e Rondônia. Em Rondônia, apenas 3,4% da área dos alertas de desmatamento cruzam com as autorizações e ações de fiscalização divulgadas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (SEDAM - RO). Isso representa pouco mais de 1% do número de alertas validados no estado. No Ceará, 2,7% da área dos alertas de desmatamento cruzam com as autorizações e ações de fiscalização divulgadas pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Estado do Ceará (SEMACE). Foram 37 alertas de desmatamento que tiveram autorizações ou ações de fiscalização sobrepostas, dos mais de 4 mil alertas validados no estado. No Acre, apenas 1,2% da área dos alertas de desmatamento no Acre cruza com as ações de fiscalização divulgadas pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC). Foram 146 alertas de desmatamento que tiveram ações de fiscalização sobrepostas, dos mais de 32 mil alertas validados no estado. O Monitor da Fiscalização do Desmatamento é uma iniciativa do MapBiomas em parceria com o Instituto Centro de Vida (ICV) e Brasil IO que recolhe e organiza informações sobre autorizações de desmatamento, autuações de fiscalização e embargo de propriedades rurais emitidos pelos órgãos federais e estaduais de controle. A transparência ativa é um dos gargalos para acompanhamento das ações de combate ao desmatamento ilegal. Por isso, o Monitor conta com dados atualizados e em formato adequado por enquanto para dez estados e do governo federal. Ao entrar na plataforma, o internauta já se depara com um gráfico consolidado, onde estão as ações de órgãos e sistemas federais e estaduais. É possível utilizar os filtros por estado, município e biomas. - [Preservação do Rio Cuiabá é tema de discussão na ALMT](https://alente.com.br/2023/04/10/preservacao-do-rio-cuiaba-e-tema-de-discussao-na-almt/): Isso certamente levará a uma redução considerável do estoque pesqueiro”, alerta a pesquisadora. Segundo ela, é preciso destacar que, antes do funcionamento das usinas, o processo de construção delas já proporciona impactos irreversíveis para a biodiversidade. “Muitas pessoas dependem do rio Cuiabá. Não são somente as mudanças climáticas e usinas que provocam impactos em toda a sua extensão. Há o desmatamento, a poluição e uma série de outros elementos que precisam ser levados em conta na hora de pensar nas ações de preservação. - [Em um ano, número de famílias ameaçadas de despejo aumentou mais de 50% no país](https://alente.com.br/2023/04/10/em-um-ano-numero-de-familias-ameacadas-de-despejo-aumenta-mais-de-50-no-pais/): São Paulo, Amazonas e Pernambuco são os estados com mais famílias nessa situação; Mais de mil conflitos envolvem disputas por terra Da redaçãoFoto de capa: Rovena Rosa/EBC Desde fevereiro de 2022, o número de famílias ameaçadas de despejo cresceu mais de 50% em todo o país, subindo de 132.291 para os atuais 240.621. É o que mostra o Mapeamento Nacional dos Conflitos pela Terra e Moradia, da Campanha Despejo Zero. A plataforma permite o mapeamento de conflitos pela terra e moradia em todo Brasil de forma contínua e colaborativa.   Foto: Reprodução Despejo Zero/2023 As justificativas apresentadas para as ameaças de despejo em todo o país são diversas. Entre elas estão a reintegração de posse, área de proteção ambiental, impacto de obras públicas e áreas de risco.  Ao todo, são 1.121.132 pessoas atingidas. Dessas, pelo menos 66% são negras e 60 % são mulheres 60%, além de 162.595 crianças e 159.742 pessoas idosas.  Para Raquel Ludermir, coordenadora de Incidência Política da Habitat para a Humanidade Brasil, o despejo é devastador para as famílias, especialmente para mulheres, crianças e pessoas idosas.  "Desde o momento da ameaça, quando acontece o medo de ser despejado, além do trauma de um despejo violento, até às violações de direito enfrentadas por não ter onde morar. A moradia é porta de entrada para uma série de direitos básicos. Sem teto e sem comprovante de residência, as crianças não conseguem ter acesso à escola e aos serviços de saúde e lazer, enquanto as pessoas idosas sofrem por questões identitárias e pelos laços afetivos criados com o território”.  De acordo com o levantamento, o estado com maior número de famílias nessa situação é São Paulo com mais de 70 mil ameaças de despejos e 7.655 famílias despejadas atualmente, seguido pelo Amazonas com 33.142 e Pernambuco com 21.611 famílias ameaçadas. Foto: Reprodução Despejo Zero/2023 Além das famílias ameaçadas de despejo, o levantamento mostra também que o país tem mais de mil conflitos envolvendo disputas por terra e moradia.  Foto: Reprodução Despejo Zero/2023 - [Céus de Cuiabá](https://alente.com.br/2023/04/08/ceus-de-cuiaba-2/): Fotógrafo documental libera fotos da série "Céus de Cuiabá" em celebração aos 304 da cidade Em celebração ao aniversário de Cuiabá, que completa 304 anos de história neste sábado (08), o fotógrafo mato-grossense, Ahmad Jarrah, disponibiliza sua série “Céus de Cuiabá” para os leitores da Lente.  A série é um deleite  aos amantes das cores vibrantes do céu da cidade conhecida especialmente pelo sol radiante. "É um chamado para contemplar esse estonteante céu da cidade”, relata Ahmad Jarrah ao liberar o seu trabalho. Neste ano, além da galeria completa, o fotógrafo disponibiliza algumas imagens para impressão em alta resolução gratuitamente. As fotografias de Ahmad Jarrah retratam neste trabalho um ponto de vista poético e documental, capturando a atmosfera única dos céus da cidade, que misturam tons alaranjados e azuis com nuvens imponentes. As chuvas de verão também marca a série registrada do bairro Lixeira. Embora seja uma cidade rica em história e cultura, Cuiabá sofre com a precariedade de serviços básicos como transporte público e saneamento, além de enfrentar dificuldades na área da saúde, como denunciado recentemente por inúmeros veículos locais. As fotografias de Ahmad Jarrah são um lembrete de que Cuiabá possui uma beleza única. Ao disponibilizar as fotografia, o fotógrafo documenta a importância da arte e da cultura como instrumentos de resistência.  As fotografias em alta resolução para impressão podem ser baixadas aqui: https://drive.google.com/drive/folders/1oi6cFaJZCtOKqFEQN9fBliu0tBqiVz4S?usp=share_link. Lembrando que o uso é único, exclusivo e é proibida a reprodução e comercialização. Todos os direitos autorais são reservados ao autor das fotografias, Ahmad Jarrah. Veja a galeria completa - [Fazendeiros certificam terras do tamanho de Vitória dentro de áreas indígenas em 2023](https://alente.com.br/2023/04/08/fazendeiros-certificam-terras-do-tamanho-de-vitoria-dentro-de-areas-indigenas-em-2023/): Normativa da Funai foi apoiada por Nabhan Garcia - [Alimentação das almas: Do purgatório à redenção](https://alente.com.br/2023/04/07/alimentacao-das-almas-do-purgatorio-a-redencao/): Senhor me confesso, sem númeroDas ofensas feitas a vós,E dela vos peço perdão.Tende misericórdia de nós… - [Baixa transparência: informações ambientais em sites de estados da Amazônia Legal são limitadas a apenas 30%](https://alente.com.br/2023/04/05/baixa-transparencia-informacoes-ambientais-em-sites-de-estados-da-amazonia-legal-sao-limitadas-a-apenas-30/): Dados constam em relatório do ICV e se referem a análise de órgãos federais e estaduais dos nove estados da Amazônia Legal; Acre teve pior desempenho Da redação/ Bruna Obadowski C/ informações do ICV Segundo um relatório do Instituto Centro de Vida (ICV), entidades e órgãos dos nove estados da Amazônia Legal disponibilizam apenas 30% das informações necessárias para controle, regularização e tomada de decisões relacionadas ao meio ambiente em seus websites.  Essa informação é referente à transparência ativa, ou seja, as informações disponibilizadas nas páginas das entidades e constam no documento “Transparência das informações ambientais na Amazônia Legal: a disponibilização dos dados públicos em 2022”, publicado em março. O estudo também levou em consideração a transparência passiva, por meio de solicitações de informações pelos Serviços de Informação ao Cidadão (e-SICs). Foram analisados sites de 28 órgãos estaduais e de 7 órgãos federais entre setembro e dezembro de 2022, bem como 119 pedidos de acesso a informações por meio dos sistemas eletrônicos de janeiro a outubro de 2022.  Imagem: Figura que ilustra a transparência ativa e passiva nos estados da Amazônia Legal e nos órgãos federais. Fonte da imagem: Relatório Transparência das informações ambientais na Amazônia Legal: a disponibilização dos dados públicos em 2022. ICV/2023. De acordo com o analista socioambiental do ICV, Marcondes Coelho, aumentar a transparência das informações ambientais na Amazônia Legal é crucial para permitir um maior controle sobre atividades que historicamente têm contribuído para a destruição da floresta. Falta de informações sobre regularização fundiária e ambiental na Amazônia Legal compromete controle social De acordo com o relatório do Instituto Centro de Vida (ICV), o acesso à informação sobre regularização fundiária é um gargalo em todos os estados da Amazônia Legal, com uma média de apenas 15% das informações disponíveis nos websites dos órgãos responsáveis. Essa falta de transparência impede o acompanhamento das políticas fundiárias pela sociedade e limita o controle social e a atuação das agências de controle. Outro tema com baixa transparência é o de regularização ambiental, que está relacionado às informações sobre implementação do Código Florestal e ações de comando e controle, como autorizações de supressão de vegetação nativa, autos de infração e embargos. A transparência nesse tema foi de apenas 28%, considerando os dados divulgados pelos estados e governo federal. O analista socioambiental do ICV, Marcondes Coelho, destaca que o acesso aos dados completos do Cadastro Ambiental Rural (CAR) é fundamental para monitorar e combater o desmatamento nas diferentes cadeias produtivas, por outros atores além dos órgãos ambientais. A falta de transparência nessas áreas compromete o controle social e a cooperação entre os diferentes órgãos do Poder Executivo. Baixa taxa de resposta a pedidos de informação sobre meio ambiente na Amazônia Legal Apenas 46,2% dos pedidos de informação solicitados aos órgãos de meio ambiente e institutos de terra de estados da Amazônia Legal foram respondidos dentro do prazo estabelecido pela Lei de Acesso à Informação (LAI). O dado é do relatório “Transparência das informações ambientais na Amazônia Legal: a disponibilização dos dados públicos em 2022”, do Instituto Centro de Vida (ICV). Para se ter ideia, dos 119 pedidos de acesso à informação realizados de janeiro a outubro de 2022, apenas 83 foram respondidos, sendo que apenas 55 enviaram a resposta dentro do prazo previsto por lei. Imagem: Figura que ilustra O índice de transparência por agenda. Fonte da imagem: Relatório Transparência das informações ambientais na Amazônia Legal: a disponibilização dos dados públicos em 2022. ICV/2023. O Acre foi o estado com pior desempenho, sem responder a nenhum dos pedidos feitos aos órgãos estaduais. Tocantins e Amazonas responderam a apenas 27,3% das solicitações. Imagem: Figura que ilustra o índice de transparência nos estados da Amazônia Legal e nos órgãos federais. Fonte da imagem: Relatório Transparência das informações ambientais na Amazônia Legal: a disponibilização dos dados públicos em 2022. ICV/2023. Embora todos os pedidos de informação feitos aos órgãos federais tenham sido atendidos dentro do prazo estabelecido por lei, a transparência ativa foi baixa, com apenas 30% das informações disponíveis nos websites das entidades e órgãos. Já a transparência passiva mostrou-se ainda mais baixa, comprometendo a participação da sociedade no ordenamento territorial. - [Defesa Civil lança Atlas de Desastres no Brasil ](https://alente.com.br/2023/04/04/defesa-civil-lanca-atlas-de-desastres-no-brasil/): Plataforma possibilita visualização de dados sobre desastres e eventos climáticos extremos em todo o território nacional Da redaçãoFoto de capa: CBMMG A Defesa Civil Nacional publicou, nesta segunda-feira (3), em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Atlas de Desastres no Brasil. A plataforma possibilita a visualização de dados sobre desastres e eventos climáticos extremos no Brasil de forma estruturada, em gráficos, tabelas ou em mapas. No Atlas, é possível observar os detalhes das ocorrências e danos associados a cada município. O Atlas inclui interface de consulta e manual com a metodologia de tratamento dos dados, que foram atualizados até 2021. Em abril, será inciado o tratamento dos dados de 2022. Segundo a Defesa Civil, o Atlas também servirá como instrumento de apoio à tomada de decisão sobre investimentos e políticas públicas voltadas à redução de desastres. Foram analisadas todas as ocorrências informadas pelos municípios no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). “Avançamos muito na qualidade dos dados. Temos certeza de que essa base apoiará o governo na orientação das políticas públicas de redução de risco de desastres. Além do lançamento da própria plataforma, estamos entregando a metodologia de tratamento de dados, que poderá ser replicada anualmente”, destaca a diretora do Departamento de Articulação e Gestão da Defesa Civil Nacional, Karine Lopes. "O objetivo é garantir o acesso a informações qualificadas ao cidadão e aos gestores públicos para que possamos investir melhor na mitigação de riscos de desastres no Brasil”, completou. Ainda segundo a Defesa Civil, os dados monetários que constam na plataforma são referentes aos danos materiais e prejuízos no período de 1995 a 2021. Os valores foram corrigidos para o ano de 2021, possibilitando a comparação direta entre os diferentes anos. “Após a reunião de todos os registros, foi desenvolvido um processo de tratamento dos dados, dividido em três etapas principais, que consistiram na verificação de ocorrências repetidas, valores extremos e análise agrupada por mesorregião. O processo de análise dos dados é complexo, e sua metodologia demonstra quão trabalhosa é a sua consolidação em um formato único para tratamento. São desafios como a consideração de diferentes protocolos para registro que se alteraram ao longo do tempo; variação do sistema de classificação dos desastres; e repetição de ocorrências, como seca e estiagem, entre outros”, ressalta o chefe de projetos da Defesa Civil Nacional, Lucas Mikosz. - [Pesquisadores confirmam a descoberta de novo habitat marinho na Ilha das Couves, em Ubatuba](https://alente.com.br/2023/04/03/pesquisadores-confirmam-a-descoberta-de-novo-habitat-marinho-na-ilha-das-couves-em-ubatuba/): A riqueza e biodiversidade desse banco abre uma perspectiva para atividades de sensibilização ambiental, divulgação e educação científica, bem como ciência cidadã, possibilitando a reflexão sobre a importância ecológica dos bancos de rodolitos, envolvendo prioritariamente a comunidade local e operadores de turismo que atuam na região, promovendo a capacitação de monitores e pequenos empreendedores, convergindo com as ações de turismo de base comunitária atualmente em desenvolvimento. ## Tags