quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Fé e tradição na Folia de Reis

Fotógrafo retrata a festa em Dom Aquino

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Texto: Thiago Andrade
Fotos: José Medeiros / Gcom-MT

Quinta-feira, 05 de janeiro de 2017, um dia ensolarado a cidade de Dom Aquino, no Sul de Mato Grosso, se prepara para dar mais uma demonstração de fé. A manifestação religiosa é diferente da tradicional, onde a comemoração do Dia de Reis é em alusão aos três reis magos que levaram presentes o Menino Jesus no dia do seu nascimento.

A demonstração de fé cobre a cidade de Dom Aquino, a manifestação é animada, com instrumentos musicais, fantasias, máscaras e muita fé, alegria e devoção as pessoas saem às ruas na conhecida Folia de Reis. A tradição de sair às ruas é passada de geração em geração. Os foliões, como são chamados os festeiros, são divididos em grupos, as chamadas folias.

Antes de sair às ruas, eles se preparam em casa. Colocam seus rococós e afinam seus instrumentos, para então começar a tomar as ruas da cidade em um misto de fé, tradição e comemoração.

Às 10h as folias começam a ganhar as ruas da cidade, por quase 12 horas as folias cruzam a cidade. No percurso, uma preocupação: evitar o encontro com outra folia. Conforme manda a tradição, ao encontrar com outro grupo um duelo é lançado, ganha aquele que fizer as melhores respostas em verso ao grupo adversário. O perdedor fica sem sua bandeira, que só será devolvida após o grupo “perdedor” conseguir responder a contento o desafio.

Uma das pessoas que se dedicam em manter a tradição é o seu Benedito, o palhaço mais velho da Folia Mineira, que completou 54 anos em 2017 e foi a primeira de Dom Aquino. Ele lembra que a tradição chegou há muitos anos no Brasil, fazendo sucesso, principalmente, em cidades do interior.

Ele conta que a folia é movida pela fé. Destaca que mesmo que os três reis magos não são reconhecidos como santos, a fé e devoção neles são retribuídos com a certeza de o milagre pedido será alcançado. “Quando você pede com fé pra eles, tudo acontece”, afirma.

Na Folia Mineira o seu Benedito tem a função de palhaço, que tem a função de cuidar da bandeira, dos foliões e brincar com as crianças. “Temos que saber chegar na casa, saber respeitar o dono da casa. Uma folia chegar a atuar por mais de 50 anos é porque sabemos respeitar”, diz.

A Folia Mineira conta com 12 foliões, como são chamados os participantes. Ele conta que em muitas casas que chegam as pessoas choram e ajoelham para receber a bandeira com os foliões.

A festa tem início no dia 31 de dezembro quando as folias, como são chamados os grupos, eles chegam tocando sanfonas e violões, vão pegando doações, o dinheiro arrecadado é usado na festa realizada para a confraternização do povo.

Durante a passagem da folia, os moradores os recebem para almoço, a casa que oferece jantar ao grupo pode dormir com a bandeira dos Reis Magos, antes dela ir embora, o anfitrião ainda oferece um café da manhã aos festeiros. São famílias tradicionais que recebem a bandeira.

Tocam modas de viola e cantos de romaria na porta das casas, a recepção nas residências é de impressionar, já aguardando os festeiros, os moradores de Dom Aquino preparam verdadeiros banquetes.

A preocupação que fica é de não deixar a tradição morrer para e passar o sentimento de devoção para as próximas gerações.