domingo, 19 de agosto de 2018

A transformação do olhar

Fotógrafo leva oficina de fotografia às crianças do Noroeste de Mato Grosso

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Texto: Bruna Obadowski e Henrique Santian
Fotos: Henrique Santian

A linguagem fotográfica é, dentre suas várias contribuições sociais, instrumento de estímulo capaz de provocar diferentes formas de se olhar o mundo, colocando em foco as múltiplas formas de ver e ser visto. O ato fotográfico neste caso, desponta como mais um caminho de problematização da vida, que nos permite, através da mediação técnica da câmara fotográfica, registrar, decifrar, ressignificar e recriar o mundo e a nós mesmos.

Durante duas semanas, crianças do Noroeste de Mato Grosso foram estimuladas a trabalhar a educação ambiental através de oficinas de fotografias com diferentes abordagens. Ministrada pelo fotógrafo Henrique Santian, a oficina faz parte do projeto PETRA ONF Brasil em Cotriguaçu, atuando como instrumento mediador de produção de conhecimento e de novas perspectivas, permitindo que os alunos e os educandos se reconhecessem como agentes socioambientais e assumissem a responsabilidade de encontrar soluções locais para problemas cada vez mais urgentes.

 

Pedro, assim como tantas outras crianças da região, experimentou pela primeira vez o contato com a fotografia. De berço humilde, mora na zona rural de Cotriguaçu, num assentamento que abriga cerca de 1500 famílias, Nova Cotriguaçu, onde o acesso a arte e a cultura é escasso, tornando seu contato com as artes visuais ainda mais distante.

Sua mãe, é uma das mulheres que participam da associação de coletoras do babaçu, principal fonte de renda da família e da maioria dos moradores da região. Ao se relacionar com a fotografia, Pedro estabeleceu um novo olhar com seu quotidiano ao redescobrir o quão importante é a preservação das riquezas naturais que o cerca e, de como isso o afeta e afeta sua família diretamente.

As crianças atuaram como fotógrafos e leitores. Ocuparam dois lugares simultaneamente, possibilitando-os a visualizar o mundo através de perspectivas diferentes, como o caso de leila, que registra o ônibus abandonado, aquele que sempre passou despercebido em seu percurso cotidiano.

Fotografia: Leila

A utilização da fotografia no processo educativo pode fazer com que a percepção da imagem capturada expresse mais do que apenas a sua estética. É possível que a fotografia permita que o sujeito seja conduzido a novas linguagens, inclusive à dimensão política dos fenômenos representados, visto que o conteúdo daquele enquadramento não se traduz em sentidos que impressionam, que causam ruídos na comunicação, mas fornece detalhes que constituem o próprio saber na sua essência.

Para conhecer mais sobre o trabalho do fotógrafo Henrique Santian , acesse o Flickr.
Para saber mais sobre a oficina, clique aqui.