sexta-feira, 25 de maio de 2018

Retratos da luta feminina no 8M

O ativismo que atravessa o dia da mulher

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Texto e Fotos: Bruna Obadowski

Em meio a centenas de mulheres, Maria da Gloria carrega uma faixa que desperta a atenção. Ela, assim como tantas outras mulheres ali, no movimento 8M em Cuiabá, faziam questão de expor na fala e na escrita sua resistência em defesa dos direitos da mulher. A expressão de seu rosto registra as lutas travadas desde 1997, e ao comparar os tempos, sentencia: “nunca vi nada igual esse retrocesso atual”.

Esse é mais um dia de luta como tantos outros para as mulheres. É mais um dia de exigir respeito, garantia de direitos, fim da violência e da desigualdade e tantas outras lutas travadas cotidianamente em consequência de uma sociedade patriarcal.

Todavia, este dia em especifico não passa batido, isso por conta do símbolo que a data representa historicamente para a sociedade. Oito de março é, além de tudo, um marco de resistência, que por consequência do capitalismo voraz tornou-se em muitos espaços um dia de superficiais felicitações e consumo.

Edilaura participa pela primeira vez de um manifesto em prol aos direitos da mulher. De Guiratinga, ela é a prova de uma juventude consciente e engajada, onde os direitos da mulher precisam estar em evidencia independente da data.

Paloma, carrega em seu peito a fotografia de Berta,  que tanto sofreu com a injuria e preconceito.

Depois de anos defendendo os direitos das mulheres, dona Euza se orgulha de ainda participar das lutas. Assim como Glória Munhoz, solta o canto “sem medo de ser mulher”.

“Eu vou soltar o cabelo e passar um batom”, é o que Antonieta me diz ao pedir para retrata-la. Existe um preconceito em relação ao ativismo feminino de que a luta “desfeminiza”a mulher, como se este campo fosse apenas de domínio masculino, numa tentativa de desqualificação do feminismo. Quando na verdade o feminismo é inerente a mulher, independente de quais as suas particularidades.

Ainda temos muitas conquistas pela frente, é preciso ter consciência e tornar cotidiana todas as manifestações de respeito à mulher.

Na voz, Glória Maria Munhoz, símbolo de resistência na luta dos direitos da mulher do campo: “Pra mudar a sociedade do jeito que agente quer, participando sem medo de ser mulher”.